Quando nas minhas noites vazias, me perco no horizonte do passado, vejo tudo que fui, e o que me tornei. Sinto uma tremenda saudade dos tempos de outrora, da minha meninice, das meninas que passou pela minha vida, que levaram um pouco de mim. É um desconsolo que não sei explicar. Tantos tombos, tantas alegrias e momentos que não mais voltam - se deixa guardado em alguma gaveta da lembrança. O silêncio que me perco lembrando de tudo isso, da pessoa que fui, da pessoa que me tornei. Como se fosse um espelho pois sinto que o meu pai já vivenciou tudo isso também, numa das nossas conversas falando do passado dele, ele me disse que era um ser saudoso, que sempre se perdeu no passado, que procurava no passado o caminho que levava ele até o presente e o futuro. Tenho muita coisa parecida com o meu (veio), isso me deixa orgulhoso. Pois o malandro é uma das pessoas mais simples que conheço, das mais belas e queridas que tive o prazer de conviver. Poucas horas atrás numa das nossas conversas telefônicas, senti uma puta saudade dos tempos que ele vivia conosco, comigo, com o meu irmão e minha mãe. Mas como sempre o rumo que a vida dá, nem sempre podemos mudar, o malandro se foi, mas sua presença continua forte, continua me iluminando nos caminhos que trilho e nos que sonho. E assim é a vida. A escrita aqui que sempre faço neste humilde espaço, tentando focar o cotidiano, focar aquilo que vivo seja nos bares, nos lares. Nem sempre também tudo que escrevo aqui foi vivido por mim, pois inúmeras vezes escrevi coisas imaginando o sofrimento e a vivencia dos meus semelhantes. Querendo entender o vazio que somos, as carência, os sofrimentos, as alegrias e tristezas. Hoje misturando tudo aqui, resolvi sem nem imaginar, talvez seja a chuva que cai la fora, pois sempre que chove algo muda aqui dentro. Uma espécie de solidão e vazio. Sempre erraremos, mesmo que por tantas vezes tentamos o caminho bom, o caminho do amor, o caminho de doar-se para preencher aqueles que estão ao nosso redor, claro que nem sempre é possível. Me baseando nisso tudo, resolvi escrever, claro que não é a escrita mais bonita do mundo, que contém inúmeros erros, mas escrevo como quem chora, com quem lamenta os males do mundo, que vive a mercê da esperança de ver tudo isso mudar algum dia, de querer e fazer para que mude, pois toda a mudança começa dentro de cada ser ao amanhecer. E por fim, tudo isso que escrevi foi querendo dizer do passado, da vida, da enorme presença do meu pai dentro de mim, pois o meu misto de saudosismo com emoção, me faz assim e por fim como costume dizer com os olhos marejados termino por aqui.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
POEMA PARA UM DOMINGO CHUVOSO
Os Astros Íntimos
Thiago de Mello.
Consulto a luz dos meus astros,
cada qual de cada vez.
Primeiro olho o do meu peito:
um sol turvo é o meu defeito.
A minha amada adormece
desgostosa do que sou:
a estrela da minha fronte
de descuidos se apagou.
Ela sonha mal do rumo
que minha galáxia tomou.
Não sabe que uma esmeralda
se esconde na dor que dou.
A cara consigo ver,
sem tremor e sem temor,
da treva engolindo a flor.
Percorre a mata um espanto.
A constelação que outrora
ardente cruzava o campo
da vida, hoje mal demora
no fulgor de um pirilampo.
Mas vale ver que perdura
serena em seu resplendor,
mesmo de luz esgarçada,
a nebulosa do amor.
Thiago de Mello.
Consulto a luz dos meus astros,
cada qual de cada vez.
Primeiro olho o do meu peito:
um sol turvo é o meu defeito.
A minha amada adormece
desgostosa do que sou:
a estrela da minha fronte
de descuidos se apagou.
Ela sonha mal do rumo
que minha galáxia tomou.
Não sabe que uma esmeralda
se esconde na dor que dou.
A cara consigo ver,
sem tremor e sem temor,
da treva engolindo a flor.
Percorre a mata um espanto.
A constelação que outrora
ardente cruzava o campo
da vida, hoje mal demora
no fulgor de um pirilampo.
Mas vale ver que perdura
serena em seu resplendor,
mesmo de luz esgarçada,
a nebulosa do amor.
WALTER ALFAIATE
Morreu mais um ícone da música brasileira. Perante a dor prefiro me calar. Então meu caro, vai na fé, vai deixar saudade, mas tua música nos consolara neste triste mundo.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
VIDA NOTURNA
Em homenagem ao meu caro amigo, companheiro de boemia, parceiro de conversas intermináveis, aqui deixo uma música, uma garrafa, um maço de cigarros e meus sinceros agradecimentos. Viva meu caro, a vida noturna sem ela não sei o que seria da gente, amante dos butecos vagabundos, das mulheres, do samba, da vida.
OXOSSI
Oxossi, Osòsi ou Odé. Orixá cultuado no candomble e Umbanda tido com um dos mais caçadores dos orixas.Oxossi é filho de Iemonjá com Orunmila. É a divinização da floresta, reinando sobre o verde, sobre os animais selvagens, dos quais é considerado o dono e dos quais tem todas as virtudes. Oxossi é sagaz como o leopardo, forte como o leão, leve como o pássaro, silencioso como o tigre, observador como a coruja. Sabe se esconder como um tatu, é vaidoso como um pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores como macacos, conhece os animais profundamente e com eles partilha o conhecimento da natureza.Dizem os mitos que aprendeu a caçar com seu irmão Ogun, quando este lhe deu as pontas de flechas e, mais tarde, a espingarda. A essência de Oxossi é “atingir um objetivo”. Fixar o alvo e atingi-lo. Alimentar a família. Oxossi sempre foi o responsável por alimentar a família. É considerado o orixá que dá de comer às pessoas, pois sob seus domínios estão os animais e os vegetais. Assim, invoca-se a energia de Oxossi quando se quer encontrar algo ou atingir algum objetivo e para prover sustento (moral ou físico) durante as jornadas.Invoca-se Oxossi, o patrono da natureza, quando se quer encontrar remédios para certos males, embora seja necessário pedir para Ossain que o remédio faça efeito. Ogum assim o fez, mas como Oxossi relutasse em voltar ao lar, e ao voltar desfeiteasse sua mãe, esta o proibiu de viver dentro da casa, deixando-o ao relento. Como havia prometido ao irmão ser sempre seu companheiro, Ogum foi viver também do lado de fora da casa.Oxossi tornou-se o melhor dos caçadores e diz o mito que foi ele quem livrou Araketu, sua cidade, de um grande feitiço das perigosíssimas ajés (feiticeiras africanas) Iyami Osorongá, que se transformam em pássaros e atacam as pessoas e cidades com doença e miséria.Tendo uma das feiticeiras pousado sobre o palácio do rei do Ketu e os demais caçadores do reino perdido todas as suas flechas tentando mata-la, Oxossi, com apenas uma, deu cabo do perigoso pássaro, tendo sido conclamado o rei do Ketu. Pede-se a Oxossi, portanto que destrua feitiços ou energias maléficas.Um dia, enquanto caçava elefantes para retirar-lhe as presas, Oxossi encontrou e apaixonou-se por Osun, a deusa das águas doces e do ouro que repousa em seus leitos, e com ela teve um filho, Logun-Edé. Filho da floresta com as águas dos rios, Logun-Edé é considerado o orixá da riqueza e da fartura, que ambos os domínios apresentam e dos quais compartilha.
Dia da semana: terça-feira
Cores: azul e verde (azul pela relação com o ar – no lançamento das flechas – e verde pelas matas).
Símbolo: Ofá (arco e flecha)
Elemento: ar e terra
Número: 3
Comida: milho e coco
Saudação: Okê Aro, Oxossi!
Folhas: espinho cheiroso, alecrin, folha da jaqueira
Odu regente: obará
Símbolo: Ofá (arco e flecha)
Elemento: ar e terra
Número: 3
Comida: milho e coco
Saudação: Okê Aro, Oxossi!
Folhas: espinho cheiroso, alecrin, folha da jaqueira
Odu regente: obará
60 ANOS DE VIDA - PAULO CESAR PINHEIRO
Tenho para mim na minha modesta opinião que Paulo César Pinheiro é o maior letrista da música brasileira de todos os tempos. Compositor incansável, escritor, poeta. Paulinho como é chamado para os mais intimo, tem cerca de 1500 músicas gravadas, parceiro de inúmeros compositores. Conheci tua obra, através de alguns sambas dele feito em parceria com Baden Powell, como o maravilhoso Lapinha. Estará fazendo neste fim de semana, o show em comemoração aos 60 anos de vida, o palco será o Sesc Pompéia. Deixo aqui a dica.
Paulo César Pinheiro está associado ao que de melhor a música brasileira produziu nos últimos 40 anos. Letrista com mais de 2 mil músicas, Paulo César Pinheiro atravessou quatro gerações de parcerias, de Pixinguinha a Lenine, passando por Radamés Gnattali, Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Sivuca, Edu Lobo, Francis Hime, Dori Caymmi, João Nogueira e Raphael Rabello. Suas composições podem ser ouvidas nas vozes de intérpretes como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Elis Regina, Nélson Gonçalves, MPB-4, Paulinho da Viola, Nana Caymmi e Sarah Vaughn, entre muitos outros. No repertório, canções como “Lapinha”, “Refém da Solidão” e “Quaquaraquaquá” (com Baden); Matita Perê (com Tom Jobim), Ingênuo (Pixinguinha), “Viagem” (João de Aquino), “Vento Bravo” (Edu Lobo).
Deixo aqui um dos inúmeros sambas maravilhosos que compôs - Lamento do Samba.
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