Certa vez, me disseram que o meu destino era amar todas as mulheres, que jamais eu amaria apenas uma. Confesso que eles tinham razão, os poetas amam todas, ou deveras fingi que as amam. Mas confesso aqui também a verdade é que amo sim, minha alma imunda que caminha torta pelo cantos deste mundo, ama a todos. No momento apenas posso dizer, que amo apenas uma, uma apenas manda nos meus passos, nos meus dias, nos meus sonhos. Todo passo que dou,sinceramente não são poucos é em tua direção. Todos os textos que aqui rascunho, que apelidei de mal-traçadas são para ti. Todos os meus porres nas noites solitárias são para ti. Todos os acordes que dedilho no meu violão são para ti. Todos os meus dias quando acordo, a primeira coisa que penso é em ti, todo ser humano que tento ser é por causa de ti, é por causa de ti, que me inspiro, é por causa de ti, que vejo a natureza, que escuto o cantar dos pássaros, é por você, que tento diminuir o meu pranto, é por causo de ti que canto o meu canto, é por causa de ti, que lamento essa minha ausência, é por causa de ti, que vejo no sorriso de uma criança a luz da esperança, é por causa de ti que vive assim tão longe, que vivo a mercê do amanhecer, que trás no clarear a nova semente, para um novo brotar. É simples assim, desde que nasci sou assim, um eterno aprendiz, da luz que inrradia dos olhos teus, é mesmo assim, quando não se consegue dizer um adeus, é mesmo assim quando na noite de calor, não consegue dormir o sonho. É mesmo por causa de mim que tu vives assim tão longe, é por causa de eu ser assim, um menino, que vê o mundo, apenas como gostaria que fosse, é por eu ser assim, que orvalho da manha molha a minha alma, é por eu ser assim, que buscarei nos caminhos mais tortuosos a luz que me levará até você, é por eu ser assim, que buscarei até o cansar. os teus passos, o teu cheiro, o teu sabor, e por falar assim, aonde anda você?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
É por isso que a amo ainda mais, para ser sincero te amarei eternamente. Noite de calor, janelas abertas, você nua, andando pela casa descalça, tracejando a rota para uma noite de amor. Teu corpo nu, tua pele suave e macia, tuas pintas espalhadas pelo o corpo. Tua voz suave e simples, me dizendo o quanto aquilo tudo significava. Avistava tua face alegre, depois de algumas taças de vinho. Ria um riso descontraído, prenuncio de uma noite maravilhosa. Não foi diferente, meu corpo entrelaçado no seu, esparramados pelo o chão, teu suor misturado ao meu, gemidos ao pé da orelha, juras e mais juras de amor eterno. Passo minha mãos pelo o teu corpo até chegar ao teu sexo, você geme na ânsia do gozo, naquele instante e o tempo parou, ficamos ali, apenas dois amantes numa noite de verão, celebrando o amor, contemplando a natureza do ser humano, descoberto de pudores, e te digo: ao nosso amor maior.
sábado, 7 de novembro de 2009
Já era noite, quando o telefone tocou. No outro lado da linha, sua voz triste, como quem acabou de chorar, me dizia o quanto lamentava, o quanto se arrependera do termino precoce da nossa união. Dizia que lamentava o que tinha acontecido, que não era pra ser assim, que o tempo havia mudado tudo. Um triste silêncio, se fez presente a ligação ficou muda, você chorava, pedindo desculpas, antes de eu falar alguma coisa, você disse adeus e desligou o telefone. Fiquei a contemplar o silêncio do adeus, o silêncio das palavras não ditas, lamentando o que poderia ter sido, se tivesse deixado eu mostrar o que guardo para ti aqui dentro. O velho cigarro no cinzeiro, o velho disco, a mesma voz do poeta, me dizendo que as coisas tinha que ser assim. A noite linda lá fora, os amantes se amando nos bancos da praça, fazendo eterna juras, de amor para toda vida. Um triste sorriso brotou de minha face, triste e pálida, dei risada, chorei, lamentei, mas não havia tempo para mudar o que o mesmo tempo determinou. Ficamos ali juntos na solidão, a lamentar no escuro da noite na presença das estrelas, mas um romance que chegou ao fim, mas uma jura desmentida, mas um poema rasgado na lixeira do banheiro, mas uma palavra calada, mas uma veia que estoura aqui dentro, e mas uma vez, mas uma vez....
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Noite de calor absurdo, como bom sábio que sei que sou, nada melhor que uma cerveja antes do sono para dormir melhor. Pernilongos para todos os gostos, noite linda lá fora, casais namorando nas praças, botequins um belo palco para uma abrideira e um bom papo. Na vitrola uma canção me acolhe nada menos que Dorival Caymmi, o mestre, e que falta me faz. Tremenda emoção, não deixando de ser romântico digamos, que saudade que sinto de você menina. O quanto me faz falta tua fala, teu riso, teu pranto. Enfim, será uma noite longa, porém não mais belas.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sei que você passa por aqui, que no meio do turbilhão que você vive, você dedica alguns minutos a ler essas mal-traçadas linhas. Sei também que tem um novo amor, que te faz um tanto feliz, lhe desejo apenas felicidades. Sei também que já fiz de tudo, ou posso acreditar que fiz, para ter você um pouco mais perto de mim, ou para ser preciso, o teu amor. Eu pra você fui mais um, e você foi tudo para mim. O meu céu era você, a minha razão, o meu tudo. Não sei em que ponto eu fracassei, não sei em qual ponto, não fui capaz de lhe fazer entender o tanto que te amo, e o tanto que queria te fazer feliz. O teu rosto eu quase não lembro, o som da sua voz, some aos poucos, o teu sorriso, já não possui o mesmo brilho de antigamente, a tua fala suave na madrugada vazia, enquanto tentavamos achar uma simples razão para se viver. Hoje depois de um certo tempo, que estou longe de você, procuro sempre entender, o porque não deu certo como queria. Prometo que não me estenderei por aqui, prometo, também que não quero que se lamente, ou se possível espero que você não leia, essa declaração brega e inocente, de um jovem que não sabe porque, ainda vive e pulsa aqui dentro, toda vez que eu vejo você, e você fingi não me ver.
PAPO DE BUTECO
- Tio me dá, 1 real?
- Pra que, você que 1 real?
- Pra inteirar pra comprar cigarro pro meu tio.
- Pra que?
- Pra mim comprar bala, tio.
- Não, não....
- Tio comprei a bala, só deu para 3 balas.
- Tudo bem, afinal você só tem uma boca, não é?
Até.
- Pra que, você que 1 real?
- Pra inteirar pra comprar cigarro pro meu tio.
- Pra que?
- Pra mim comprar bala, tio.
- Não, não....
- Tio comprei a bala, só deu para 3 balas.
- Tudo bem, afinal você só tem uma boca, não é?
Até.
É sabido por todos, a minha paixão pela querida Minas Gerais. Entre tantos cantos e encantos, entre suas montanhas, seus vales, suas cachaças, seus escritores, e porque não pelas suas mulheres que na minha opinião modesta, são as mais belas. Hoje sentado aqui, nesta pequena cadeira, olhando uma fotografia, tirada por mim, das Gerais, me derreto em saudade, que não passa, que não cala. Uma cachaça, acompanhada por uma cerveja estupidamente gelada, me comovo. Lágrimas escorrem, molham meu triste e sofrido rosto, um verso me consola, uma canção me apaixona. Deixo aqui poema de Drummond, que retrata o que digo.
O SOTAQUE DAS MINEIRAS
O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.
Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis
efeitos colaterais,
como é
que o falar, sensual e lindo ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque!
Mineira devia nascer com tarja preta avisando:
ouvi-la faz mal à saúde.
Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para
assinar um contrato
doando
tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela
me
faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez quase propus casamento a uma menina que
me ligou por engano,
só
pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem,
sabe-se lá
por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem:
pode parar, dizem:
"pó
parar").
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas,
supõem, precipitada e
levianamente, que os mineiros vivem -
lingüisticamente falando - apenas
de
uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é
competente em tal
ou
qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz de direito,
um jogador de futebol ou um
ator
de filme pornô.
Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de
serviço.
Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas
há de perguntar pra
outra:
"cê tá boa?"
Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma
mineira se ela tá boa é
desnecessário.
Vamos supor que você esteja tendo um caso com
uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer:
Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais
amplos significados.
Quer
dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com que você mexe, não fique ofendido.
Querem saber
o seu
ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue
nada. Você não dá conta.
Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo,
você liga e diz:
Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não,sô.
Esse "aqui" é outro que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública,
de qualquer
frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar
e não estão lhe
dando muita atenção: é uma forma de dizer, "olá,
me escutem, por
favor".
É a última instância antes de jogar um pão de queijo
na cabeça do
interlocutor.
Mineiras não dizem "apaixonado por".
Dizem, sabe-se lá por que, "pêxonado com".
Soa engraçado aos ouvidos
forasteiros.
Ouve-se a toda hora: "Ah, eu pêxonei com ele...".
Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você,
um carro, um
cachorro).
Elas vivem apaixonadas "com" alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras,
todo mundo sabe. É um tal de
"bonitim", "fechadim", e por aí vai.
Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo:
"E aí, vamos?".
Não caia na besteira de esperar um "vamos"
completo de uma mineira. Não
ouvirá nunca.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela,
mas
prefiro, com
todo respeito, a mineira. Nada pessoal.
Aqui certas regras não entram. São barradas
pelas montanhas.
No supermercado, não faz muitas compras, ele compra
"um tanto de côsa".
O supermercado não estará lotado, ele terá
"um tanto de gente".
Se a fila do caixa não anda, é porque está
"agarrando" [aliás,
"garrando"] lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir
um mendigo e ficar com
pena,
suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que
a essa altura o leitor já
esteja apaixonado pelas mineiras.
Não vem caçar confusão pro meu lado.
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro
"caça confusão".
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro,
é melhor falar, para
se
fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".
Para uma mineira falar do meu desempenho sexual,
ou dizer que algo é
muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção".
Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora,
idéia do "tanto
de
bom" que é.
Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo,
porque sem ele não dá para
dar
noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?
Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!!!
Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo.
Quer dizer o quê? Sei lá, quer
dizer
"ce acha que eu faço isso"? com algumas
toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen,
ela dirá: "Ô dó dôcê".
Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."?
Completo ele fica:- Ah, nem...
O que significa? Significa, amigo leitor,
que a mineira que o
pronunciou não
fará o que você propôs de jeito nenhum.
Mas de jeito nenhum.
Você diz: "Meu amor, cê anima de comer
um tropeiro no Mineirão?".
Resposta: "Nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.
Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?".
A pergunta, mineiramente falando, seria:
"cê não anima de ir"?
Tão simples. O resto do Brasil complica tudo.
É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...
Falando em "ei...".
As mineiras falam assim, usando, curiosamente,
o "ei" no lugar do "oi".
Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!",
com muitos pontos de
exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros...
O plural, então, é um problema. Um lindo problema,
mas um problema.
Sou, não nego, suspeito.
Minha inclinação é para perdoar, com louvor,
os deslizes vocabulares
das
mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer
que a oficial esteja
com a
razão.
Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá
comprar umas coisas..
Ques côsa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.
Ouvi de uma menina culta um "pelas metade",
no lugar de "pela metade".
E se você acusar injustamente uma mineira, ela,
chorosa, confidenciará:
Ele pôs a culpa "ni mim".
A conjugação dos verbos tem lá seus
mistérios em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou:
"prôcupa não, bobo!".
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas
conjugações mineiras, nem se
espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um:
"não se preocupe", ou
algo
assim.
A fórmula mineira é sintética. E diz tudo.
Até o "tchau" em Minas é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente.
Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês".
É útil deixar claro o destinatário do tchau.
Então..."
Um abraço bem apertado procê
O SOTAQUE DAS MINEIRAS
O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.
Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis
efeitos colaterais,
como é
que o falar, sensual e lindo ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque!
Mineira devia nascer com tarja preta avisando:
ouvi-la faz mal à saúde.
Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para
assinar um contrato
doando
tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela
me
faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez quase propus casamento a uma menina que
me ligou por engano,
só
pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem,
sabe-se lá
por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem:
pode parar, dizem:
"pó
parar").
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas,
supõem, precipitada e
levianamente, que os mineiros vivem -
lingüisticamente falando - apenas
de
uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é
competente em tal
ou
qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz de direito,
um jogador de futebol ou um
ator
de filme pornô.
Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de
serviço.
Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas
há de perguntar pra
outra:
"cê tá boa?"
Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma
mineira se ela tá boa é
desnecessário.
Vamos supor que você esteja tendo um caso com
uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer:
Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais
amplos significados.
Quer
dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com que você mexe, não fique ofendido.
Querem saber
o seu
ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue
nada. Você não dá conta.
Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo,
você liga e diz:
Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não,sô.
Esse "aqui" é outro que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública,
de qualquer
frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar
e não estão lhe
dando muita atenção: é uma forma de dizer, "olá,
me escutem, por
favor".
É a última instância antes de jogar um pão de queijo
na cabeça do
interlocutor.
Mineiras não dizem "apaixonado por".
Dizem, sabe-se lá por que, "pêxonado com".
Soa engraçado aos ouvidos
forasteiros.
Ouve-se a toda hora: "Ah, eu pêxonei com ele...".
Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você,
um carro, um
cachorro).
Elas vivem apaixonadas "com" alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras,
todo mundo sabe. É um tal de
"bonitim", "fechadim", e por aí vai.
Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo:
"E aí, vamos?".
Não caia na besteira de esperar um "vamos"
completo de uma mineira. Não
ouvirá nunca.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela,
mas
prefiro, com
todo respeito, a mineira. Nada pessoal.
Aqui certas regras não entram. São barradas
pelas montanhas.
No supermercado, não faz muitas compras, ele compra
"um tanto de côsa".
O supermercado não estará lotado, ele terá
"um tanto de gente".
Se a fila do caixa não anda, é porque está
"agarrando" [aliás,
"garrando"] lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir
um mendigo e ficar com
pena,
suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que
a essa altura o leitor já
esteja apaixonado pelas mineiras.
Não vem caçar confusão pro meu lado.
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro
"caça confusão".
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro,
é melhor falar, para
se
fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".
Para uma mineira falar do meu desempenho sexual,
ou dizer que algo é
muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção".
Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora,
idéia do "tanto
de
bom" que é.
Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo,
porque sem ele não dá para
dar
noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?
Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!!!
Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo.
Quer dizer o quê? Sei lá, quer
dizer
"ce acha que eu faço isso"? com algumas
toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen,
ela dirá: "Ô dó dôcê".
Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."?
Completo ele fica:- Ah, nem...
O que significa? Significa, amigo leitor,
que a mineira que o
pronunciou não
fará o que você propôs de jeito nenhum.
Mas de jeito nenhum.
Você diz: "Meu amor, cê anima de comer
um tropeiro no Mineirão?".
Resposta: "Nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.
Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?".
A pergunta, mineiramente falando, seria:
"cê não anima de ir"?
Tão simples. O resto do Brasil complica tudo.
É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...
Falando em "ei...".
As mineiras falam assim, usando, curiosamente,
o "ei" no lugar do "oi".
Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!",
com muitos pontos de
exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros...
O plural, então, é um problema. Um lindo problema,
mas um problema.
Sou, não nego, suspeito.
Minha inclinação é para perdoar, com louvor,
os deslizes vocabulares
das
mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer
que a oficial esteja
com a
razão.
Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá
comprar umas coisas..
Ques côsa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.
Ouvi de uma menina culta um "pelas metade",
no lugar de "pela metade".
E se você acusar injustamente uma mineira, ela,
chorosa, confidenciará:
Ele pôs a culpa "ni mim".
A conjugação dos verbos tem lá seus
mistérios em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou:
"prôcupa não, bobo!".
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas
conjugações mineiras, nem se
espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um:
"não se preocupe", ou
algo
assim.
A fórmula mineira é sintética. E diz tudo.
Até o "tchau" em Minas é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente.
Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês".
É útil deixar claro o destinatário do tchau.
Então..."
Um abraço bem apertado procê
Subscrever:
Mensagens (Atom)