sábado, 6 de março de 2010

SAMBA PARA UM AMIGO

Neste sábado quando morro aos poucos ( algumas pessoas adorariam ler isso aqui), enfim, depois de mais uma bebedeira, de um porre industrial, ofereço aqui um samba para um grande amigo, companheiro nesses porres imensos que varam a noite afora e manha a dentro.

Mais o samba diz, sempre sabedor, sempre amigo.

Pra que pedir perdão - Moacyr Luz / Aldir Blanc

Sábado chuvoso, ressaca das brabas, tosse de tuberculoso, morrendo aos poucos, tomando uma mistura de boldo com água tônica, dedico um samba para este sábado. Antes morrer aos poucos do que viver em branco.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Jonny Alf



Mais um que se vai em menos de uma semana. Recebo a triste noticia que faleceu um dos percussores da Bossa Nova, o mestre Jonny Alf aos 80 anos. Vitima de um câncer de próstata. Diante da dor mas uma vez prefiro me calar.  

quarta-feira, 3 de março de 2010

Me recordo como se fosse hoje ainda, quando minha sorte foi ter me perdido naquele olhar. Jamais me esquecerei daquele olhar, como lhe disse posso te esquecer, posso te buscar em uma outra qualquer, posso buscar teu sexo, teu amor, teu cheiro em outra, mas jamais buscarei teu olhar em outra qualquer. Pois teu olhar é o olhar da tua alma, neles lhe vi nua por inteira, nele despi tua pele, e lá no fundo vi teu ser.
Tenho te visto ainda, nos bares que nunca entramos, nos lares que nunca conquistamos, tenho te visto no calor daquela tarde caminhando, tenho te visto ruas atravessando com teu vestido cinza com lenços no pescoço, tenho te visto daqui distante, tenho te visto no calor da minha pele ardendo, tenho te visto aonde você nunca foi, tenho te visto no escuro lugar que habita, tenho te visto nos lugares mais cheios e vazios, a brilhar nos palcos, a beber pelos bares, a esquecer os amores. Tenho te visto na cabine do telefone, tenho te visto no olhar da tua pele que me chama, tenho te visto tanto que me canso às vezes de te ver. Tenho te visto saboreando aquela bebida que lhe embriaga, tenho te visto subindo as escadas, tenho te visto dando ar, tenho te visto saboreando os ventos, tenho te visto em lugares distantes e ao mesmo tempo perto. Tenho te visto nos sambas que escuto, tenho te visto nos versos que escrevo, tenho te visto nas viagens que faço, tenho te visto no meu desconsolo de uma noite vaga, tenho te visto na saudade, no presente, no futuro. Tenho te visto carregando tuas compras, tenho te visto me esquecendo, tenho te visto me olhando, tenho te visto ao telefone e até mesmo por engano. Tenho te visto nos rostos das mulheres que passam ao meu redor, tenho te visto nos vazios de minha alma vadia e errante. Tenho te visto me chamando, tenho te visto me acenando o adeus da partida, tenho te visto na manhã quando o sol bate em tua janela e depois da parte da tarde quando  o mesmo bate na varanda. Tenho te visto de todas as formas, te todas as maneiras que o meu peito te chama, e por aonde você anda, que não me diz, por onde andas você menina que sem querer se perde de mim, sem poder ao menos lhe dizer que lhe amo.

terça-feira, 2 de março de 2010

PASSEIO, MULHERES, EDUARDO GALEANO

Num desses meus passeios de inicio de semana, assim quando o tempo me convém sair andando pela cidade, visitando lugares que gosto, perdendo tempo dentro de sebos, livrarias, butecos, em busca da paz para começar uma boa semana, encontrei numa prateleira numa breve pausa dentro de uma banca de jornais para a compra de alguns maços de cigarros, o livro do craque Eduardo Galeano chamado Mulheres. Confesso que o título me atraiu bastante e por isso acabei comprando. Gosto de comprar livros assim, sem querer, sem esperar. O livro é um apanhado de prosas que falam do mesmo assunto: Mulheres. Para quem ainda não sabe, mulheres sempre me atraiu, seja pelo seu lado curioso, seja pelo teu lado atraente, pela sua beleza, pela tua sensibilidade, seja pela sua tristeza, pela a força  que há  dentro delas. Aproximando do dia internacional das mulheres, deixo aqui uma prosa, que fala bem deste meu sentimento por elas, na palavra do craque Eduardo Galeano.

PARA INVENTAR O MUNDO CADA DIA

Conversamos, comemos, fumamos, caminhamos, trabalhamos juntos, maneiras de fazer amor sem entrar-se, e os corpos vão se chamando enquanto viaja o dia rumo à noite.
Escutamos a passagem do último trem. Badaladas no sino da igreja. É meia-noite.
Nosso trenzinho próprio desliza e voa, anda que te anda pelos ares e pelos mundos, e depois vem a manhã e o aroma anuncia o café saboroso, fumegante, recém-feito. De sua cara sai uma luz limpa e seu corpo cheira a molhadezas.
Começa o dia.
Contamos as horas que nos separam da noite que vem. Então, faremos o amor, o tristecídio.

Eduardo Galeano - Mulheres, editora L&PM POCKET

segunda-feira, 1 de março de 2010