O vento que sopra nas janelas esfria o meu ser, me asseguro que tudo esta trancado, abro o guarda - roupas atrás de uma coberta que esquenta o frio imenso que faz aqui no sudeste. A velha taça de vinho o meu alento envelhecido nos tonéis ajuda a suportar a rotina árdua de trabalho. Na velha vitrola a mesma canção que toca, peito amargurado de saudade de você, de tudo aquilo que sonhei em lhe dizer naquela tarde calorenta de novembro quando enfim lhe vi pela primeira vez. O perfume que senti na tua pele, o lenço em volta ao teu pescoço, tua voz macia, teus olhos nada serenos. Vire e mexe lembranças me invadem, nessa tarde fria de agosto o que arde aqui dentro é a saudade absurda que sinto de você. Tantas coisas para lhe dizer, mas acredito que você não queira ouvi-las, embriago-me sentado na cama, a luz apagada do lustre, o teto escuro, sinto-me prisioneiro da tua poesia melancólica. Ensaio pegar o telefone e te ligar, um instante único revela o delírio irradiante do meu ser, desligo a sensação, me calo, nada falo. Penso no que poderia lhe dizer para quem sabe você enfim perceber a falta que tu faz ao meu ser. Escuto sambas antigos, coração despedaça, ouço aquele tango, que naquele noite fria ensaie colocar para você. Percebo que muito tinha para lhe dizer no instante que pus os olhos em você, mas nada disse, virei um ser a esperar o tempo, me dar a oportunidade de lhe dizer. Pode parecer algo inoportuno, talvez difícil de acreditar, mas o é o meu ser longe de você, o que é escrever sem ter você para lhe dizer. O vazio penetra as linhas deste texto, mistura a embriaguez com a solidão, e a falta de algo para crer que é preciso existir, não se deixar levar pela imensa solidão do mundo. Tudo se confunde ao mesmo tempo que tudo parece concluído, mas lá no fundo uma luz invade tudo, brota com o orvalho da manha, com a garoa fina que molha meus cabelos finos me entregando numa boemia qualquer a espera de você chegar a qualquer instante único que seja, para quem sabe enfim me embriagar no perfume que exala tua pele, me perder nos horizontes sombrios que habita o teu, quem sabe possa haver oportunidade, quem sabe, apenas espero o sol na manha seguinte para que possa enfim levantar sorrido
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
PAI
Comovido por dois motivos: samba e o dia dos pais. Tenho para mim, a importância imortal dessa data. Uma velha fotografia amarelada no meu criado mudo, me remete ao passado, um velho copo de cerveja me emociona. Hoje é dia dos pais, o orgulho que tenho do meu velho, mesmo tendo errado inúmeras vezes, pois é mortal, como todos nós dedico a ele meus sinceros agradecimentos, por ter me tornado o que me tornei, graças a tua sabedoria, a tua simpatia, a tua humildade e teu desligamento do mundo material, me incentivou a correr atrás dos sonhos, a buscar sempre o que queria, mas nunca esquecendo da honestidade, da simplicidade. Pai te espero aqui, para nos encontramos em volta daquela velha mesa, atrás daquele copo de cerveja ( que tu não bebe mais), mas que este velho filho honra tua embriaguez de outrora - te espero assim meu caro pai, no sol que sai lá fora, para iluminarmos nessa tarde prazerosa de domingo, ande a vida se torna menos sofrida. Valeu meu caro, pai! Que conservai por o tempo que resta a nossa união nessa terra, este teu semblante me dando paz e amor.
domingo, 1 de agosto de 2010
O silêncio da madrugada se faz presente. A cidade esta vazia, o silêncio reina por entre os prédios. Olho ao meu redor, tudo que vejo é o silêncio e as luzes apagadas. Imagino o que se passa nos prédios vizinhos ao meu, imagino o que acontece ali dentro. Meu cigarro aceso nos lábios, se acaba lentamente, o copo de vinho na minha mão é o meu companheiro, na sacada do prédio a solidão é tamanha, o vazio mistura com o espaço vazio deixado por ti. E aonde me encontro nessa noite vazia e fria, aonde buscar o continuar perante ao vazio inerte - aonde buscar teu cheiro, aonde buscar o teu ser, aonde encontrar a paz que tu me trazia. Tento te ligar, quero saber como anda você, mas desisto, ao teu lado um novo ser te preenche já não há espaço para dois na tua vida. Me volto para dentro de mim, querendo saber o porque essa busca incessante por ti, não encontro resposta, parece tudo esquisito, parece tudo apagado, tudo escondido. Assim como a cidade me esvazio nas noites frias, me perco no imenso espaço de mim, e assim a espera da multidão do dia seguinte, me deito, morro, na espera do novo dia para quem sabe nascer novamente.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
ausencia
É verdade que tenho deixado de lado este pequeno espaço aqui. Devido a enorme entrega na rotina desgastante do dia-a-dia fiquei impossibilitado de aqui dar meus pequenos relatos sobre a vida. Nunca mais escrevi sobre bares; sobre mulheres, sobre meu bairro, deixei de lado a poesia. Confesso que ando ocupado com outras coisas talvez não mais importantes que escrever por aqui, mas digamos que mais lucrativa. Mas como não consigo abandonar este pequeno espaço tão fatigado conforme este que vos escreve, tive uma grata surpresa no dia de hoje. Abandonei de fato os butecos que tanto amo, posso me dizer que me tornei um menino decente - aqueles que as mães sonham, recebi na minha casa a visita do meu querido e velho companheiro de balcão Pedro - que numa breve ida ao supermercado em frente de minha casa resolveu dar uma ida até meu lar. Fico feliz com essas coisas, pois a sociedade quer acabar com as amizades feitas nos bares, eles dizem que bêbado fala com todo mundo, que no outro dia não se lembra de nada, mentira! O malandro veio até a minha casa, para saber como andava as coisas, já que sumi daquelas bandas, que nunca mais pisei naquele boteco vagabundo. Conversamos um bocado, fumamos alguns cigarros e antes do sinal fechado abrir damos adeus prometendo nos encontrar por ai. Confesso que aparecerei naquele buteco - a data não sei bem, mas será o mais breve possível, pois coração vagabundo não aguenta ficar longe de um boteco.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Como digo sempre: é preciso saber pisar, é preciso saber chegar, sem causar alarde. Sendo assim iniciei minha rotina etílica em plena avenida Berrini, no coração empresarial de São Paulo. Amante que sou desses lugares vagabundos, já fiz amizade com o dono da espelunca, já aprovei tua cerveja gelada, teu torresmo adormecido ( que diga de passagem só cachaceiros comem), sendo assim ali durante o tempo que for preciso será minha nova casa, meu novo buteco, meu novo olhar sobre o que pode ser visto
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O que leva da terra,
se não as árvores, flores,
cheiros e sabores.
O que leva da vida,
senão erros, acertos,
choros e amores.
O que leva da vida,
senão lamento, encantos, dores.
O que leva a vida,
senão esse sentimento de dor,
o que levo da vida,
essa pena simplesmente incessante,
que clama, arde, chora, ama,
lamenta, que é a chama da morte na minha vida inteira.
se não as árvores, flores,
cheiros e sabores.
O que leva da vida,
senão erros, acertos,
choros e amores.
O que leva da vida,
senão lamento, encantos, dores.
O que leva a vida,
senão esse sentimento de dor,
o que levo da vida,
essa pena simplesmente incessante,
que clama, arde, chora, ama,
lamenta, que é a chama da morte na minha vida inteira.
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