Aproveitando o ensejo, quero contar aqui algo que me emociona muito. Como todos sabem o avanço da tecnologia é tamanha a ponto de acabar com coisas, ou gestos, sem nos dar conta. Todos sabem, que estão por ai, milhares de blogues, disposto a difundir a música brasileira. Nada contra o ato, pelo o contrário acho até bom, só que com isso, não compramos cds em grandes quantidades. E não estando com CD em mãos, não temos o encarte. Não quero entrar em nenhuma discussão sobre o que é correto ou não. Rodeie tanto a estória apenas para dizer, que mesmo não comprando tantos cds, ou quase nenhum para ser preciso, mas tem aqueles que não tem jeito, tem que ter na coleção, esse cd é o do Aldir Blanc - Vida Noturna. O único que nos últimos meses, me fez ouvir o tempo todo e não enjoar. Que me fez chorar um rio maracanã, toda fez que escuto. Que me emociona tremenda-mente quando leio as letras, as fotos. Um cd boêmio o próprio nome diz isso, um cd de piano e violão e voz. Não quero me estender, apenas quem tiver ouvido de escutar que escute, mas antes, como de praxe, abre uma cerveja bem gelada, acenda um cigarro, e se delicie com a poesia de Aldir Blanc.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
CRÔNICA
Conversando com um grande amigo meu, o Luciano, historiador, dos bons, fui questionado sobre meus gostos literários. Confesso que nunca me fiz essa pergunta - do que eu realmente gostava. Sempre li de tudo, poesia, crônica, romance, contos, mas confesso o que realmente me chama atenção é a crônica. Me recordo da primeira vez que li Rubem Braga, uma maravilha fiquei encantado. Hoje coloquei em cheque este meu gosto, aproveitando que não estou para com saco, assim dizendo, para assuntos mais sérios, dei um pulo na biblioteca atrás de uns livros de crônica. Não achei Antonio Maria (outro que admiro), nem Rubem Braga, mas encontrei um do Drummond. Comecei ler hoje pela a tarde - junto com a garoa fina que caia. Escolhi uma crônica para colocar aqui, neste imundo e pequeno espaço.
CARTOLA, NO MOINHO DO MUNDO
Você vai pela rua, distraído ou preocupado, não importa. Vai a determinado lugar para fazer qualquer coisa que está escrita em sua agenda. Nem é preciso que tenha agenda. Você tem um destino qualquer, e a rua é só a passagem entre sua casa e a pessoa que vai procurar. De repente estaca. Estaca e fica ouvindo.
Eu fiz o ninho.
Te ensinei o bom caminho.
Mas quando a mulher não tem brio,
é malhar em ferro frio.
Aí você fica parado, escutando até o fim o som que vem da loja de discos, onde alguém se lembrou de reviver o velho samba de Cartola; Na Floresta (música de Sílvio Caldas).
Esse Cartola! Desta vez, está desiludido e zangado, mas em geral a atitude dele é de franco romantismo, e tudo se resume num título: Sei Sentir. Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: “Tenho um novo amor”, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera.
A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.
Em Tempos Idos, o divino Cartola, como o qualificou Lúcio Rangel, faz o histórico poético da evolução do samba, que se processou, aliás, com a sua participação eficiente:
Com a mesma roupagem
que saiu daqui
exibiu-se para a Duquesa de Kent
no Itamaraty.
Pode-se dizer que esta foi também a caminhada de Cartola. Nascido no Catete, sua grande experiência humana se desenvolveu no Morro da Mangueira, mas hoje ele é aceito como valor cultural brasileiro, representativo do que há de melhor e mais autêntico na música popular. Ao gravar o seu samba Quem Me Vê Sorrir (com Carlos Cachaça), o maestro Leopold Stockowski não lhe fez nenhum favor: reconheceu, apenas, o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes de nossa população. Coisa que contagiou a ilustre Duquesa.
* * *
Mas então eu fiquei parado, ouvindo a filosofia céptica do Mestre Cartola, na voz de Sílvio Caldas. Já não me lembrava o compromisso que tinha de cumprir, que compromisso? Na floresta, o homem fizera um ninho de amor, e a mulher não soubera corresponder à sua dedicação. Inutilmente ele a amara e orientara, mulher sem brio não tem jeito não. Cartola devia estar muito ferido para dizer coisas tão amargas. Hoje não está. Forma um par feliz com Zica, e às vezes a televisão vai até a casa deles, mostra o casal tranqüilo, Cartola discorrendo com modéstia e sabedoria sobre coisas da vida. “O mundo é um moinho...” O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas o humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. O som calou-se, e “fui à vida”, como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar em lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.
PS: Como senão bastasse, encontrei essa crônica falando sobre o maior poeta de todos os tempos: CARTOLA.
CARTOLA, NO MOINHO DO MUNDO
Você vai pela rua, distraído ou preocupado, não importa. Vai a determinado lugar para fazer qualquer coisa que está escrita em sua agenda. Nem é preciso que tenha agenda. Você tem um destino qualquer, e a rua é só a passagem entre sua casa e a pessoa que vai procurar. De repente estaca. Estaca e fica ouvindo.
Eu fiz o ninho.
Te ensinei o bom caminho.
Mas quando a mulher não tem brio,
é malhar em ferro frio.
Aí você fica parado, escutando até o fim o som que vem da loja de discos, onde alguém se lembrou de reviver o velho samba de Cartola; Na Floresta (música de Sílvio Caldas).
Esse Cartola! Desta vez, está desiludido e zangado, mas em geral a atitude dele é de franco romantismo, e tudo se resume num título: Sei Sentir. Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: “Tenho um novo amor”, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera.
A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.
Em Tempos Idos, o divino Cartola, como o qualificou Lúcio Rangel, faz o histórico poético da evolução do samba, que se processou, aliás, com a sua participação eficiente:
Com a mesma roupagem
que saiu daqui
exibiu-se para a Duquesa de Kent
no Itamaraty.
Pode-se dizer que esta foi também a caminhada de Cartola. Nascido no Catete, sua grande experiência humana se desenvolveu no Morro da Mangueira, mas hoje ele é aceito como valor cultural brasileiro, representativo do que há de melhor e mais autêntico na música popular. Ao gravar o seu samba Quem Me Vê Sorrir (com Carlos Cachaça), o maestro Leopold Stockowski não lhe fez nenhum favor: reconheceu, apenas, o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes de nossa população. Coisa que contagiou a ilustre Duquesa.
* * *
Mas então eu fiquei parado, ouvindo a filosofia céptica do Mestre Cartola, na voz de Sílvio Caldas. Já não me lembrava o compromisso que tinha de cumprir, que compromisso? Na floresta, o homem fizera um ninho de amor, e a mulher não soubera corresponder à sua dedicação. Inutilmente ele a amara e orientara, mulher sem brio não tem jeito não. Cartola devia estar muito ferido para dizer coisas tão amargas. Hoje não está. Forma um par feliz com Zica, e às vezes a televisão vai até a casa deles, mostra o casal tranqüilo, Cartola discorrendo com modéstia e sabedoria sobre coisas da vida. “O mundo é um moinho...” O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas o humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. O som calou-se, e “fui à vida”, como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar em lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.
PS: Como senão bastasse, encontrei essa crônica falando sobre o maior poeta de todos os tempos: CARTOLA.
domingo, 18 de outubro de 2009
Tarde de domingo, tarde qualquer se não fosse domingo, essa solidão que arde e fere. Solidão, lembranças se misturam. No fundo de mim, busco o canto, busco à poesia, busco teus olhos a me olhar, busco a imensidão no horizonte aonde caminharei. Busco o amor, busco o contato com a terra, busco suas pegadas na areia, busco enxergar além das ondas. Uma busca imensa, que para sempre em você. Ordem normal das coisas, o meu coração espera resistir a mais uma tarde assim. De repente surge um poema qualquer, de repente como na imensidão além das montanhas, surge um alento qualquer. De repente como no futuro que sempre existirá, de repente, surge o amor, com um pássaro à cantar.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
- Alô.
A noite caiu rapidamente, sentado naquele buteco imundo de sempre, saboreando a solidão companheira. Beliscando uma carne de segunda, saboreando uma cerveja, para esquentar uma cachaça como abrideira. O tempo passou rapidamente, quando me lembrei já era tarde. Com a voz pigarreada, voz que você dizia que era de bôemia, escutei do outro lado uma voz de sono, me dizendo alô. O papo foi breve você irritada por ligar naquelas horas, acordando a casa inteira, me desculpei no único instante que tive para soltar a voz. Você ainda me disse que tinha coragem de ligar aquelas horas e ainda por cima bêbado, um tremendo sem vergonha. Disse apenas que liguei para desejar parabéns, desejar felicidades, e perguntar se recebeu as flores que mandei. Você sorrindo ( pude imaginar), disse obrigado, que não precisava, que já estava em outra, que era hora de me tocar e deixar você em paz. Disse tudo bem, tudo bem... De lá pra cá não te liguei mais, hoje completou 1 ano que fiz essa ligação e que não tenho notícias tuas. Fiquei sabendo que você terminou sua relação, que não foi aquilo que você sonhou. Espero que você não esteja lendo essas linhas, mas eu não te esqueço, nunca se pode banhar na mesma água de um rio, mas quem sabe isso não é possível?
Até.
A noite caiu rapidamente, sentado naquele buteco imundo de sempre, saboreando a solidão companheira. Beliscando uma carne de segunda, saboreando uma cerveja, para esquentar uma cachaça como abrideira. O tempo passou rapidamente, quando me lembrei já era tarde. Com a voz pigarreada, voz que você dizia que era de bôemia, escutei do outro lado uma voz de sono, me dizendo alô. O papo foi breve você irritada por ligar naquelas horas, acordando a casa inteira, me desculpei no único instante que tive para soltar a voz. Você ainda me disse que tinha coragem de ligar aquelas horas e ainda por cima bêbado, um tremendo sem vergonha. Disse apenas que liguei para desejar parabéns, desejar felicidades, e perguntar se recebeu as flores que mandei. Você sorrindo ( pude imaginar), disse obrigado, que não precisava, que já estava em outra, que era hora de me tocar e deixar você em paz. Disse tudo bem, tudo bem... De lá pra cá não te liguei mais, hoje completou 1 ano que fiz essa ligação e que não tenho notícias tuas. Fiquei sabendo que você terminou sua relação, que não foi aquilo que você sonhou. Espero que você não esteja lendo essas linhas, mas eu não te esqueço, nunca se pode banhar na mesma água de um rio, mas quem sabe isso não é possível?
Até.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O despertar de cada manha, o sol dando as caras no horizonte, e aqui dentro esse vazio que não tem fim. Esse desespero que nada preenche, essa saudade que nada diminuí, esse pigarro denunciando a fumaça inalada. Taças e mais taças de vinho, garrafas espalhadas pelo o canto, da janela deste edifício nessa manha intediante, vejo crianças brincarem e uma nova esperança surgir. Reparo no vai-e-vem das pessoas, reparo na sinfonia das buzinas da metrópole cinza. Percebo que passei a minha infância, a minha adolescência, brincado e correndo nessas velhas ruas, que não saem da minha lembrança. Vejo o tempo correr, e nada parece mudar, o desespero vem ao meu alcance e essa saudade enorme da tua luz. Me olho no espelho e não me conheço, percebo que há dias minha barba anda por fazer, me envelhecendo ainda mais. No meu blogue as mesmas estórias de sempre, os mesmos vazios nas entrelinhas escritas. Tudo parece cinza, nem mesmo a claridade dessa manha, que entra pelo o vão da cortina, parece mudar algo. O café preto, amargo, junto com as torradas com manteiga, é a cura da ressaca, revelando que mais uma noite de insônia e de embriaguez. Já não te reconheço, teu retrato na minha estante, teus livros misturados ao meu, folheio, e sinto você. Penso em quais versos você gostou mais, penso no que você pensava enquanto lia aquelas linhas. Tudo virou pó, tudo ficou cinza. Hoje tentando conter essa escuridão aqui dentro, escrevo essas mal traçadas linha, pondo para fora, algo que não quero mais aqui dentro, como disse ainda existe o cantar, ainda existe a manha, ainda existe o céu, ainda existe o mar.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O despertar de um novo dia se torna mais belo, quando estou com você. A chama que arde aqui dentro, que não revelo, arde em segredo. O desejo de tornar tua vida mais bacana, diminuir teu tédio, aliviar teu tormento. Fico feliz quando transcrevo por aqui algo que te faça melhor, e melhor ainda quando você passa por aqui - lendo essas mal traçadas linhas, posso imaginar teu sorriso ai do outro lado, na escuridão da noite, no silêncio da alma, valeu!!!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Quando a tristeza quer chegar, me aqueço na luz do teu olhar. Quando o fim parece próximo, é no teu corpo a calmaria que encontro. A luz que nele desperta, a paz que nele exala, o perfume que desperta feito o orvalho da manha. Quando a noite surge estrelas no céu, quando o silêncio se anuncia, é a música do teu corpo a minha sinfonia. Quando ouço o sussurrar sair dos lábios teus, quando o meu corpo cola no teu corpo suado, quando a gente se cansa de tanto se entregar, quando nos embriagamos um do outro, uma nova manha surge para dizer que além de tudo, existe o se perder para se achar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)