Sei lá que horas são, pra mim não importa. Meu caro amigo, valeu pelo o papo e pelo o porre. Valeu pelo samba, valeu pelo sarro. Valeu meu caro amigo. Meus dedos se perdem no teclado, como lhe disse tenho vontade de dizer para ela, que amo ela, mas não adiantaria. Será que ela ainda lê este blogue? Chico Buarque me deixando ainda mais solitário nessa noite, querida se você ainda perde tempo lendo tudo isso, sabe que mesmo embriagado, te amo!!!!!
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Posso dizer que minha sorte é grande - tenho grandes amigos, sei eles não saberia viver. Dos muitos amigos que perdi, dos muitos que se foi, aqueles que virão, e todos os outros. Como sempre falo - minha alma é velha, apesar do corpo de menino, sou um velho. Apesar dos vinte e poucos anos, tenho amizades com pessoas bem mais velhas do que eu, e isso me dá um orgulho danado. Hoje repensando nos valores de minha vida, depois de um longo porre na noite de ontem, no qual até poucos minutos atrás recuperava energia perdida na noite anterior. Mas como nem tudo é descanso, pois nem tudo é calmaria, voltei a beber. Estava a poucos minutos atrás passeando com minha cachorra na praça - quando de longe vejo um aceno na minha direção, meu querido e saudoso amigo seu Leonso, me convidando para uma cerveja, quem me conhece sabe que não descarto essa idéia. Seu Leonso, tremendo malandro, tremendo boemio, aprecia-dor da boa música brasileira, boa pessoa, honesta, humilde. Com ele aprendi a gostar da música da época de ouro do rádio, conheci grandes cantores, grandes músicas. Virei uma espécie de saudoso também. Disse a ele que não estava recuperado da noite anterior, mas que aceitava um trago e um copo. Mesmo minha tosse de tuberculoso não me deixando de lado, consegui ficar ali durante duas horas bebendo e fumando, ouvindo as estórias do malandro, conhecendo um pouco mais, já que é um tanto mais vivido do que eu. É prazer, meu caro dividir a mesa com você, sempre aprendo muito, sempre rio muito. Deixa eu recuperar minha saúde, que voltaremos a beber e muito por sinal.
O que posso dizer depois da perda - o silêncio é o que digo. Silencio pois quando me silencio, me escuto, me olho para dentro e me perco. Quando falo, nada escuto, minha dor se perde nos labirintos de minha fala. Quando silêncio é o meu peito que pede, quando nada falo, quando tudo que calo arde na madrugada vazia, escuto o samba que me acalanta. Quando sozinho sou mais forte, quando sozinho me encontro, lamento tudo que perdi, lamento que cada um leve meu pedaço. Quando não mas restar pedaços de mim - dentro de mim, é hora de sair para me procurar. Até quando nas entrelinhas das minhas linhas errantes restar meu pranto, até quando me levanto, até quando me encontro, até quando desejo a morte de mim pelos cantos. Quando me perco talvez me encontro, quanto pedaços levaram de mim, não sei dizer, talvez junte um dia, para jogar na vala. Quando o barquinho de Iemanjá levar minhas cinzas e meu canto, talvez alguém possa surgir e lamentar a perca do meu canto. Quando tudo permanecer assim, não posso dizer, nada além do meu pranto. Quando as linhas se perdem, nos oceanos, e lá restar nada mais que o meu desgosto, canto.
VALSA DO MARACANÃ
Quando eu ficar assim
morrendo após o porre
Maracanã, meu rio,
ai corre e me socorre
Injeta em minhas veias
teu soro poluído
de pilha e folha morta,
de aborto criminoso
de caco de garrafa
de prego enferrujado
dos versos do poeta
pneu de bicicleta
Ai, rio do meu Rio,
Ai, lixo da cidade
de lâmpada queimada
de carretel de linha
chapinha premiada
e lata de sardinha
o castigo e o perdão
o modess e a camisinha
o castigo e o perdão
o modess e a camisinha
Ai, só dói quando eu rio,
Maracanã, meu rio
Maracanã, meu rio
Ai, só dói quando eu rio
morrendo após o porre
Maracanã, meu rio,
ai corre e me socorre
Injeta em minhas veias
teu soro poluído
de pilha e folha morta,
de aborto criminoso
de caco de garrafa
de prego enferrujado
dos versos do poeta
pneu de bicicleta
Ai, rio do meu Rio,
Ai, lixo da cidade
de lâmpada queimada
de carretel de linha
chapinha premiada
e lata de sardinha
o castigo e o perdão
o modess e a camisinha
o castigo e o perdão
o modess e a camisinha
Ai, só dói quando eu rio,
Maracanã, meu rio
Maracanã, meu rio
Ai, só dói quando eu rio
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
NADA
O que posso dizer dessa noite, meu caro amigo. Digo que valeu pelo o nosso porre simples e sincero. Valeu por nossa conversa simples e sincera. Sei que você ser humanos exemplar já deve estar sonhando com as mulheres, pois malandro que és, deve estar conquistando elas no sonho. É verdade meu caro, quando lhe diz, que o meu destino é sofrer pelas madrugadas vazias, você me disse, que o meu coração não vai agüentar tanto sofrimento. Você tinha razão ela não aguentou - nessa noite vazia e solitária deixei um pedaço dele nas ruas, deixei um pedaço dele com os cachorros que me acompanharam na minha vinda do bar até em casa. Meu caro, acredito que partirei hoje de madrugada, o samba esta rolando na vitrola, o cigarro no cinzeiro, mas permita-me um favor? Quando no meu velório for, peça para tocar aquela música do Aldir Blanc e estender a bandeira do meu time do coração em cima do caixão. Jogue também, meu caro, um copo americano pois você deve saber que lá no céu - é tudo correto e eles não devem usar copos vagabundos como eu gosto. E também lhe deixei o número de minha menina, liga para ela, e diga que sempre amei-a, quando for jogar terra em cima de mim - jogue aquele livro do Guimarães Rosa, o disco do Cartola e meu chapéu Panamá, pois quero estar acompanhado no paraíso.
É madrugada, é vazio, é silêncio. A casa vazia, silêncio interrompido pelo samba que sai da vitrola. Minha voz pigarreada cantando samba - esquecendo minhas dores. Não vou mais brigar com o criador e nem buscar em tudo uma razão, deixar o tempo me ensinar, que cada dia é uma lição. É minhas noites não tem como ser esquecidas. É papo, é conhaque, é amor. Dentro de mim me perco, dentro de mim me acho. Digo sempre que não quero viver muito - sinta-se a vontade Deus de me levar nessa noite, pois eu já bebi muito, vamos acertar as contas, pois covarde sou, não quero te encarar são. Vai me diz, porque me fizesse um ser tão infeliz? Me diga porque tirou de mim minhas alegrias, me deixando assim sozinho nas esquinas. Vou beber é claro que vou, não me importo o que farei aqui na terra, e nem o que levarei ai, para aonde eu vá. Quero que tudo se (phoda), inclusive minha vida. Quero é chorar meu querido Deus, isso, chorar nessa madrugada vazia, quero lembrar dos sambas, quero chorar a saudade da minha menina, que tu roubou de mim, quero aqui como meus cigarros apagados no cinzeiro, meu coração solitário a lamentar tudo que tu roubaste de mim. Quero neste texto embaralhado feito minha visão, desejar que nessa noite eu parta para ao longe, aonde não exista dores, quero descansar, pois o meu coração é fraco, pois o meu pulmão parará também, e assim meu Deus, permita que parto hoje, permita morrer de porre ouvindo samba - batucando na mesa. Permita meu Deus você que é o criador e me mandou para essa terra cheia de dor, me leve hoje, por favor.
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