quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Todos sabem que buteco é lugar de bater papo, sem papo o buteco não existe. E foi pensando assim, que na noite de ontem estive na espelunca em busca de papo. E o que não faltou foi papo e discussão. Comentavam as desgraças recentes, seja elas aqui em São Paulo bem próximas a mim, ou tanto distante no Haiti. Confesso que não era esse o papo que esperava, não fui capaz de por pra fora minha opinião, pois perante a dor prefiro me calar. Minhas errantes palavras não servem de consolo, para aqueles milhares de desabrigados. Minha embriaguez não me permite, preferi o silêncio, fiquei calado no mesmo canto ali no balcão. Mas como buteco é a mistura do sagrado com o profano, a mistura da alegria e da dor, pude reparar que o meu drama particular não é nem de longe um drama perto do drama destes seres humanos. Quieto ali, desejando paz entre os seres, desejando neste ano que mal começou, que a paz, as felicidades, desejadas por todos nós na passagem do ano, possa realmente entrar em cena. Que a esperança possa reinar dentro dos lares e bares - e que a puta dor que todos sentem, possa enfim sair e dar lugar ao amor, a felicidade tão em falta nos dias de hoje. E que tanta desgraça possa um dia dar uma trégua para quem sabe vivermos sem a dor, a dor da falta, a dor da perda, a dor, apenas essa dor.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Enquanto o pranto existir, enquanto o meu peito arder em feridas e a saudade de você aumentar, só o meu velho e querido samba para dar alento. Na madrugada silenciosa e chuvosa, é em você que penso.
Pra mim boteco não pode tocar música. Explico. Nem sempre é possível agradar todos, uns gostam de forró, outros música sertaneja, outros rock, outros reggae, outros moda de viola, outros pagode, outros samba (inclusive este que vos escreve). Cansei é fato de ouvir música ruim em buteco, por isso sou contra música dentro de buteco. Outra razão não se pode conversar dentro de um buteco, pois o som alto incomoda. E por vezes, deixei o buteco na primeira cerveja, pedi a contra e fui-me embora, por causa das músicas, por não concordar. Mas sempre tem ex-cessão é fato. Outro dia, cansada da rotina, resolvi dar um pulo no buteco. Tinha é fato junto com meu amigo Pedro, expressado o gosto por Benito di Paula. Cantamos é verdade algumas música do malandro. Para minha surpresa não esperava é fato, que o Baixinho dono da espelunca, resolvesse comprar um cd do Benito para escutar. É claro, que o Baixo não tinha escutado o som do camarada ainda, devido a nossa dica cultural, o malandro comprou e gostou do que comprou. Para nossa alegria, o cd tocava todos os dias, tocava sei lá quantas vezes, para um amante da música do malandro, eu adorava. Mas como defendo a tese que buteco que se preze não toca música, tive que me render, e adorei, mas para aqueles que não curtem o som, foi um tremendo auê. E a discussão pegou fogo, eu que defenderei a música brasileira como a melhor do mundo, não aceito que um brasileiro que se preze, fala mal do camarada. O jeito foi pedir a saideira, e voltar chorando de emoção, mas uma noite que o buteco nos comove.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O meu cantar, o meu pulsar, o meu jeito de mudar, e tentar do jeito que for, ser um tanto melhor. Meu lado cantador, tentando esquecer de algum jeito as dores, suplicar ao céu, o alento de que no fundo seremos um dia, seres melhores. Meu coração gritando calado nas madrugadas, meu peito ardendo em chamas querendo soltar o grito de alerta, o amor agitando, pulsando. Nada se pode fazer, quando o peito clama por coisas melhores. Clama por ti menina morena, que a passar com seu gingado, com o perfume que tu roubaste sem querer das flores do jardim próximo. Querendo a busca o encontro com ti, morena. Pelo o menos se tu soubesse que quando passa o meu peito se enche de graça, mas tu não é de Ipanema, minha querida morena. Talvez você seja de Angola, ou até mesmo herdeira da senzala. Quando tu passa, assim com graça, vestida de um jeito simples, como todas as mulheres devias ser, com o ar sonhador, fazendo os homens suplicarem o teu amor, o teu gesto, o teu rebolado. Menina morena, quando passares por mim amanha, repara no meu pobre olhar, a viajar no teu gingado. Menina morena, espero talvez um dia poder lhe dizer, tudo que esperei aqui escrever, mas minha alma cansada não consegue achar as palavras para preencher esta pagina branca. Meu ser tão fatigado, tão desesperado, fingi que lhe esquece querendo lhe amar. Amanha menina morena, quando você vier pela minha calçada, lança um olhar, para que nele possa navegar da esperança de quem sabe, encontrar a paz, encontrar você minha pequena sereia.

domingo, 17 de janeiro de 2010

É você sempre terá razão, mesmo estando errada terás razão. Mesmo eu querendo seguir o meu caminho embriagando pelas esquinas, olhar perdido na solidão noturna, você terá razão. Não deu confesso que não deu, tentei de todas as formas e jeito mudar meus hábitos, mas o meu politicamente correto está em falta. Você tão acostumada com os garotos sarados, encontrou um falso boêmio, um falso malandro. Encontrou um menino, sim, menino, que lhe beija com o cheiro de conhaque na boca - com o cheiro dos cigarros fumados na roupa. Fazer o que se você não quer. Então segues teu caminho só assim serás feliz, com um novo amor, para suprir o que o meu não foi capaz, só assim serás feliz novamente.

sábado, 16 de janeiro de 2010

É verdade que me chamam de velho, mas não me importo, explico. Nunca fui e talvez nunca serei um da moda. Sempre corri daquilo que o pessoal curtia na época, na mesma idade que a minha. Me recusava a ir em casa noturna, nunca fui um paquerador sempre ficava na minha. Sempre fiz às coisas na época errada. Confesso que nunca fui tão certinho ( minha mãe que pode falar). E assim sou eu, abro mão de casa noturna - prefiro o buteco, o papo, a esquina. Dei é fato essa volta toda para chegar num assunto que quero aqui dizer. O meu gosto por música sempre foi bom, sempre gostei de música. De uns anos pra cá virei um amante confesso da música brasileira. Ganhei por causa disso um apelido ( velho). Todos acham que a música brasileira das antigas é coisa de velho. Sendo assim, fui procurar no passado, dado a dica do meu querido seu Leonso, o malandro no auge dos setenta anos de vida ou mais, me indicou um programa na rádio capital AM, intitulado Hora da Saudade. O programa é bacana, só toca músicas antigas tais como: Lupicinio Rodrigues, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Pixinguinha. E o melhor de tudo isso é que gostei. Todos os dias antes de pegar no sono ligo o rádio na estação me delicio com as canções. Nasci em 1984, depois de uns bons anos depois dessa época, mas confesso que gostaria muito de ter vivido aquela época. Em tempos atuais, que os adolescentes se deliciam com as músicas se é que se pode chamar aquilo de música. Eu fujo delas como o diabo foge da cruz. Por isso que quase todos me chamam de velho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Confesso que sempre tive a sorte, assim posso dizer de ter convívio com os mais velhos. É um puta prazer para mim, que sou um menino perto deles. Aprendo pra cacete com eles. Chico é um malandro que tenho o prazer, de quando em vez dividir algumas ampolas com o malandro. Chico é da idade do meu pai - ou melhor o malandro bebia com ele, e afirma que o meu velho, enxugava o freezer e a prateleira. Curioso quis saber o que o meu pai tomava, o malandro foi categórico. Bebia tudo que via pela frente, mas sempre na dele, sem arrumar confusão com ninguém. É um prazer ter este convívio e saber que os anos passaram, mudaram as pessoas, mas o espelho é o mesmo. Meu já faz alguns que parou de beber, disse que já bebeu o que tinha de beber, hoje não vê com bons olhos a bebida, mas não impede que eu honre teu nome pelos bares. Chico conforme disse, tomou caminho diferente, se perdeu na cachaça. Chico tem uma estória bonita. Era casado com Helena, morena bonita, vivia prazerosa-mente bem. Mas por causa da bebida, se separaram. De lá pra cá a vida do malandro acabou. Vive pelos os bares, quando um fecha parte para outro. Bebe litros e litros de cachaça. Numa dessas noites, que os deuses não concedem o velho Chico abriu o jogo. Confessou que jamais esqueceu a mulher, que foi tua grande paixão e assim será até o termino de sua vida. Disse que errou, mas que não se arrepende, pois a vida é assim. Como ela não tem rascunho, vive com acertos e erros. Na hora contive o choro, pois também sou assim, um amante da boêmia, e acima dela das mulheres. Mesmo elas rasgando o meu peito, sofrendo a dor da saudade. Confesso que tenho muito em comum com o velho Chico lhe disse isso, ele zombou, soltou um riso, e disse que da vida nada sei. A noite passou sem que eu se desse conta, ele relembrou estórias do meu velho, relembrou suas paixões também. E assim passou mais uma noite, que os deuses me deram o prazer de viver.