A correria é tamanha, a saúde anda abalada, com tudo isso acontecendo me impede de beber, de ir até a minha espelunca. Hoje depois de duas longas semanas, apareci, como um cristão na santa missa, apareci por lá. A espelunca estava vazia, como deveras sempre és. A chuva caia fina, molhando as árvores, molhado o rosto daqueles que ali passavam apresados. Uma imensa saudade, fazia se presente aqui dentro, uma vontade de sentar ali, pedir uma cerveja gelada, uma boa cachaça mineira para acompanhar - e ver a noite cair lentamente, adormecendo o peito vazio, enxugando o meu pranto, aliviando a dor da despedida naquela tarde solitária. Ali do outro lado do balcão o seu Ademar, com seu velho avental verde, com o riso estampado no rosto, alegre de ver, ali presente. Me perguntando por onde andei, e porque sem ao menos dar um alô, desapareci, assim como milhares partiram nos tempos de chumbo. Como sempre a minha velha e podre poesia é a minha companheira, nesta noite chuvosa, pude dizer para ele o quanto lamentava essa ausência do seu bar, que tanto me acolheu, e que tanto me deu felicidade. Mas como ando triste, e andei perambulando pelo meu Brasil, que tanto amo, em busca da paz para a minha alma, que voltei como quem volta do mar agitado, como a morena que espera no cais em busca do teu nego e do teu saveiro, eu voltei. Mas quero aqui neste meu humilde e simples espaço lhe dizer, meu bar: aonde quer que vá, aonde quer que eu beberei, é em você que pensarei, é neste balcão que tanto me acolheu, que tanto, dispensou a minha dor, como quem despacha uma oferenda para os orixás, é você que tem o lugar cravado no meu peito, é você, e essa aldeia que levarei aonde quer que eu vá. Apesar de muitas idas minhas, sentir que nem sempre é possível a volta.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
É verdade e não nego: o balcão do velho botequim, é o meu guerreiro, é a minha fé, é o meu esplendor. Com isso, coloco aqui, um poema que diz o que eu gostaria de escrever um dia.
Balcão de Bar,
Espelho de tristes rostos
Em que a tarde põe desgostos
E a noite vai agravar.
.
Balcão de Bar,
Porto de gente sofrida
A esconder o que a bebida
Aos poucos vai revelar.
.
Balcão de Bar,
É o inferno e o paraíso
A depender do sorriso
Da mulher que vai entrar.
.
Balcão de Bar
Confessionário paciente
Do bêbado inconseqüente
Que em ti vai se apoiar.
Balcão de Bar
Ao apagar de tuas luzes
Levantam-se negras cruzes
Que nos vão crucificar.
.
Madrugada,
Lá fora a vida começa
Mas tu me esperas sem pressa
Pois sabe que eu vou voltar.
.
Balcão de meu velho Bar....
Balcão de Bar,
Espelho de tristes rostos
Em que a tarde põe desgostos
E a noite vai agravar.
.
Balcão de Bar,
Porto de gente sofrida
A esconder o que a bebida
Aos poucos vai revelar.
.
Balcão de Bar,
É o inferno e o paraíso
A depender do sorriso
Da mulher que vai entrar.
.
Balcão de Bar
Confessionário paciente
Do bêbado inconseqüente
Que em ti vai se apoiar.
Balcão de Bar
Ao apagar de tuas luzes
Levantam-se negras cruzes
Que nos vão crucificar.
.
Madrugada,
Lá fora a vida começa
Mas tu me esperas sem pressa
Pois sabe que eu vou voltar.
.
Balcão de meu velho Bar....
Noite de segunda-feira, garoa fina cai lentamente. Vejo pelo o vidro da janela o desenho da tua face, vejo o teu zombar alegre de mim. Melancolia, tristeza, e uma vontade incessante de beber, de esquecer, de sofrer, de viver. Todos os sentimentos que existem aqui dentro de mim se confundem quando vejo o teu rosto ali, desenhado pelos pingos de chuva no vidro de minha janela. A música é a mesma, a saudade é a mesma, e essa vontade de lhe esquecer apenas por um momento. Apenas um momento é o que repito. Mais não direi, pois palavras neste momento não adiantaram para diminuir o imenso abismo que separa nós. Então o que fazer, é o que me pergunto a todo momento, uma voz de um diabo me diz, o que fazer, é beber, é sentar na minha espelunca querida, naquele canto que tanto gosto, pedi o velho conhaque acompanhado de uma cerveja mofada de gelo, e sentir aos poucos, meus olhos se perderem na imensidão do horizonte a procura dos teus, a percorrer estes tantos quilômetros que me leva até você.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O conheci numa tarde de segunda-feira, uma tarde simples, dessas qualquer. Tarde de calor, com uma leve brisa soprando, seu Antonio, estava sentado no banco da praça, esperando seu velho companheiro para o jogo de damas. Sentado embaixo da árvore, dizia, que não gostava do calor, que sua preferência sempre foi pelo o tempo frio, que fazia se recordar de sua infância em Porto Alegre. Seu Antonio, para minha surpresa me foi apresentado naquele dia, quando passava apresado para mas um dia de trabalho. Devido a um escorregão, torci o pé, com muita dor no tornozelo, seu Antonio, me puxou para o banco, disse para eu aguardar um pouco ali, que iria até a casa simples que morava para apanhar um pouco de gelo e um copo d'água. A dor aumentava, por um único instante cogitei a idéia de ir embora, mas a dor me fez re-pensar. Avistei do outro lado da rua seu Antonio apressado vindo com uma garrafinha de água e uma compressa de gelo, pediu para eu não me mexer, colocou a compressa de gelo sobre o meu tornozelo. Sentindo um pouco menos de dor, lhe agradeci, lamentando o ocorrido, ele ainda com um sorriso singelo estampado no rosto, disse que era assim mesmo, ainda brincou, dizendo que eu andava com os pensamentos nas nuvens, ou até mesmo, pensando em alguma mulher. Dei um risada, dizendo que não andava com essa bola toda. Tivemos um cinco minutos de papo, quando lhe perguntei o que fazia naquele banco. Foi quando ele me respondeu, que a velhice, não nos resta nada, além de sentar num banco e pensar na vida, no passado em busca de lembranças. Mas que também esperava um grande amigo, que por sinal estava atrasado para algumas partidas de damas. Por um breve instante fiquei a pensar no que foi dito, mas a dor me impedia de filosofar. Disse para ele que precisava ir para casa, que não precisava mais de ajuda, que alguns minutos apenas estaria em casa, que procuraria um médico, para quem sabe a gravidade da torção enfaixar o tornozelo e ganhar alguns dias de descanso do trabalho. Levantei calmamente, procurando não apoiar o corpo sobre o tornozelo torcido, lhe agradecendo pela ajuda, prometendo voltar assim que me recuperasse para um partida de damas, e quem sabe talvez, uma conversa sobre as coisas do mundo e da vida.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
LISTA
Aproveitando que o fim de 2009 se aproxima, e com a chegada desta data é hora de fazer o balanço, colocar na balança o que realmente valeu a pena. Colocarei aqui uma lista simples, nada sofisticado, nada crítico ou melhor olhando pelo o lado crítico da coisa. Segue alguns livros, CDs e filmes que gostei, segue abaixo:
CDs
Aldir Blanc - Vida Noturna
Moacyr Luz - Batucando
Nana Caymmi - Quem inventou o amor
Maria Bethânia - Tua
Maria Bethânia - Encanteria
Nação Zumbi - Fome de Tudo
Paulo Cesár Pinheiro - Lamento do Samba
LIVROS
Joana a contra gosto - Marcelo Mirisola
Aldir Blanc - Rua dos Artistas
Fausto Wolff - O lobo Atrás do Espelho
Nelson Rodrigues - Cabra Vadia
Orfãos do Eldorado - Milton Hatuom
Coloquei aqui, uma lista de livros e discos que tive a oportunidade de ler e escutar este ano, não necessariamente foram lançados em 2009.
CDs
Aldir Blanc - Vida Noturna
Moacyr Luz - Batucando
Nana Caymmi - Quem inventou o amor
Maria Bethânia - Tua
Maria Bethânia - Encanteria
Nação Zumbi - Fome de Tudo
Paulo Cesár Pinheiro - Lamento do Samba
LIVROS
Joana a contra gosto - Marcelo Mirisola
Aldir Blanc - Rua dos Artistas
Fausto Wolff - O lobo Atrás do Espelho
Nelson Rodrigues - Cabra Vadia
Orfãos do Eldorado - Milton Hatuom
Coloquei aqui, uma lista de livros e discos que tive a oportunidade de ler e escutar este ano, não necessariamente foram lançados em 2009.
sábado, 14 de novembro de 2009
Tarde quente, vejo da minha varanda o vai e vem das meninas, com seus corpos à mostra, sinto uma leve nostalgia assim como a brisa que vem do mar. Me vem na lembrança o teu corpo nu, o cheiro de tua pele e gosto adocicado dos teus beijos. Sinto uma tristeza profunda, me pego a recordar momentos que não voltaram acontecer. O calor abafa os meus pensamentos, minha garganta seca, pede uma boa quantidade de cerveja, para amortecer as dores do peito. Avisto as velhas ruas do meu bairro, que me assistiram de perto o meu crescimento, a minha liberdade. Ruas que tanto percorri e corri, ruas que tanto cai e outras tanto levantei. Neste instante começo a lembrar das mulheres que passaram na minha curta vida, sinto uma imensa saudade de todas, vontade de revê-las, de ver o rumo que tomaram, ver como andas. E dizer para as mesmas, o quanto lembro delas. Sei que algumas me xingaram de canalha, de cachorro. Outras acredito que ficaram felizes em me re-ver. E ver o quanto eu sou triste, o quanto envelheci em pouco tempo. Mas deixarei isso de lado, não vale a pena, ficarei aqui sentado numa cadeira, avistando o vai e vem das garotas, a delirar, a embriagar-me, de tua face, de tu menina, que não esqueço, e talvez espero que passe aqui na frente, com a um leve toque na bozina, acene para este pobre coitado, que escrevi aqui essas mal-traçadas, nesta tarde calorenta de novembro, a recordar de você.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Quando eu nasci, não veio um anjo torto conforme disse o poeta,
quando eu nasci, me veio um Deus, que me disse: vai o teu destino é sofrer.
Derramado o sangue sujo do ventre imaculado de minha mãe, que não é maria, e sim Rosa.
Carregado durante meses no colo de minha mãe, mamando nos seus seios acolhedores,
bebi o cálice santo do amor materno.
Engatinhando pelos cantos e gritando aos prantos, tudo o que minha alma necessitava além desta cruz que cansei de carregar.
Deus ainda disse: teu destino tu que fará, fará teus próprios caminhos, mas eu guiarei os teus passos aonde quer que vá.
Ergui com o meu suor cada tijolo, na esperança de quem sabe um dia ter uma parede. que me cerca dos males destes filhos, que se dizem filhos de Deus.
Caminhei por trevas, caminhos tortuosos, mas também caminhos belos. Senti o orvalho da manha. senti o perfume das rosas, senti o cheiro do teu sexo, senti o teu ventre, a gerar um filho meu.
Senti nos lábios a chama do amor, neles senti o perfume, na minha pele ainda resta as marcas deles.
Senti como sentia antigamente quando a minha mãe beijava a minha face, me acalmando, dizendo que tudo ia passar.
Senti um deus, senti, que tudo isso não vale a pena.
Carrego desde de então um fardo, uma esperança, e uma flor.
Nesta minha alma inocente, deste menino que saiu daquele ventre. de uma mulher que não se chama Maria e sim Rosa.
Sai com a alma inocente, com muitos caminhos para seguir, mas sem nunca esquecer, que foi tu e não Maria, que me guiou e me mostrou os caminhos que deveria seguir.
E assim, seguirei os teus passos, os teus caminhos, como muitos aqui na terra, seguem Deus os
caminhos escritos naquele livro, que seguem o teu filho Jesus.
quando eu nasci, me veio um Deus, que me disse: vai o teu destino é sofrer.
Derramado o sangue sujo do ventre imaculado de minha mãe, que não é maria, e sim Rosa.
Carregado durante meses no colo de minha mãe, mamando nos seus seios acolhedores,
bebi o cálice santo do amor materno.
Engatinhando pelos cantos e gritando aos prantos, tudo o que minha alma necessitava além desta cruz que cansei de carregar.
Deus ainda disse: teu destino tu que fará, fará teus próprios caminhos, mas eu guiarei os teus passos aonde quer que vá.
Ergui com o meu suor cada tijolo, na esperança de quem sabe um dia ter uma parede. que me cerca dos males destes filhos, que se dizem filhos de Deus.
Caminhei por trevas, caminhos tortuosos, mas também caminhos belos. Senti o orvalho da manha. senti o perfume das rosas, senti o cheiro do teu sexo, senti o teu ventre, a gerar um filho meu.
Senti nos lábios a chama do amor, neles senti o perfume, na minha pele ainda resta as marcas deles.
Senti como sentia antigamente quando a minha mãe beijava a minha face, me acalmando, dizendo que tudo ia passar.
Senti um deus, senti, que tudo isso não vale a pena.
Carrego desde de então um fardo, uma esperança, e uma flor.
Nesta minha alma inocente, deste menino que saiu daquele ventre. de uma mulher que não se chama Maria e sim Rosa.
Sai com a alma inocente, com muitos caminhos para seguir, mas sem nunca esquecer, que foi tu e não Maria, que me guiou e me mostrou os caminhos que deveria seguir.
E assim, seguirei os teus passos, os teus caminhos, como muitos aqui na terra, seguem Deus os
caminhos escritos naquele livro, que seguem o teu filho Jesus.
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