Eu poderia colocar aqui o teu nome, para que você ao ler este relato se identificasse com ele, mas creio que não seja o caso para tal. Acredito que você saberá logo nas primeiras linhas que se trata de nós dois. É chegada a hora do termino do ano, hora de colocar em cheque o que valeu a pena, e o que não valeu a pena. Hoje ao te re-ver depois de longos meses de ausência, senti na pele que já não somos mais os mesmos de outrora. Já não vejo mais a nossa união como houve num determinado tempo. Já não somos mais os mesmos, não sei bem definir o que aconteceu, e qual foi a transformação que houve. Mas não somos. Mas pude perceber que o teu olhar continua o mesmo, pude sentir o cheiro de tua pele, e perceber que é o mesmo cheiro de outrora. Pude ouvir por alguns momentos tua voz macia e pausada, pude ver que você emagreceu um pouco, e talvez um tanto abatida, cansada. Pelo o contrário eu vou na mesma direção, me acabando aos poucos, na certeza de partir o quanto antes dessa vida, partir para não mas voltar. Não posso dizer que tivemos uma conversa, nem que ele foi franca, pois o tempo que durou foi e será sempre insignificante perante ao passado, a duração das nossas conversas que rompia a madrugada, que ia no cinema, que ocorria pelos os bares, que ocorria no teu carro. Lamento que tudo isso se perdeu, ou permaneceu guardado no nosso imaginário ou até mesmo na lembrança. Eu fui nada mais e nada menos que a companhia para tua solidão, o ouvinte para teu tédio e dores do mundo, fui a luz que chegava antes da escuridão, fui apenas um aprendiz, fui nada além do que sempre serei, um eterno aprendiz perto de você.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Estive hoje como nos velhos tempos, perdendo o meu tempo, ou melhor aproveitando meu tempo, naquele buteco. Já era noite quando cheguei, algumas estrelas no céu, a lua mostrando as caras, se fazendo minha companheira para mais uma noite de boêmia. A saudade me matando, essa ânsia de querer sempre estar ao teu lado diminuindo o teu padecer e você não querendo perceber, se importando com coisas miúdas, tão pequenas. A emoção de estar ali sempre é verdadeira, sempre que entro ali, é como se estivesse pisando dentro de casa - a emoção de rever alguns amigos, de beber, conversar, dar risada da vida, trocar informações e hoje não foi diferente. Tenho abusado da saúde nestes últimos tempos - minha sede é do tamanho de Itaipu, como diria Aldir Blanc ( minhas sede é dos rios), não foi diferente. Bebi algumas ampolas, acompanhada de uma cachaça mineira, escolhida a dedo por mim, e posso garantir vendida apenas para mim, troço que me deixa emocionado pra cacete. Mas como sempre buteco é o lugar do imprevisto, do improvável, rolou uma janta - sem ao menos combinar. O troço foi o seguinte: Bebida abre o apetite, e nada melhor que um bom prato de arroz com feijão e um bom bife de fígado acompanhado com um salada de tomate e alface. Detalhe a janta ficou pronta em alguns minutos, sem que o o Baixo assim chamado cobrasse nenhum tostão pelo o prato farto ali servido. Como sempre falo aqui, ou aonde quer que vá, é ali, meus caros que me sinto bem, é ali que me sinto humano, que me emociono, é ali naquela esquina, que quero cair um dia e morrer, é ali que me arranca lágrimas dos olhos, é ali bem ali, que me sinto feliz, é ali que sinto o que é a vida, e quanto vale a pena viver.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
A correria é tamanha, a saúde anda abalada, com tudo isso acontecendo me impede de beber, de ir até a minha espelunca. Hoje depois de duas longas semanas, apareci, como um cristão na santa missa, apareci por lá. A espelunca estava vazia, como deveras sempre és. A chuva caia fina, molhando as árvores, molhado o rosto daqueles que ali passavam apresados. Uma imensa saudade, fazia se presente aqui dentro, uma vontade de sentar ali, pedir uma cerveja gelada, uma boa cachaça mineira para acompanhar - e ver a noite cair lentamente, adormecendo o peito vazio, enxugando o meu pranto, aliviando a dor da despedida naquela tarde solitária. Ali do outro lado do balcão o seu Ademar, com seu velho avental verde, com o riso estampado no rosto, alegre de ver, ali presente. Me perguntando por onde andei, e porque sem ao menos dar um alô, desapareci, assim como milhares partiram nos tempos de chumbo. Como sempre a minha velha e podre poesia é a minha companheira, nesta noite chuvosa, pude dizer para ele o quanto lamentava essa ausência do seu bar, que tanto me acolheu, e que tanto me deu felicidade. Mas como ando triste, e andei perambulando pelo meu Brasil, que tanto amo, em busca da paz para a minha alma, que voltei como quem volta do mar agitado, como a morena que espera no cais em busca do teu nego e do teu saveiro, eu voltei. Mas quero aqui neste meu humilde e simples espaço lhe dizer, meu bar: aonde quer que vá, aonde quer que eu beberei, é em você que pensarei, é neste balcão que tanto me acolheu, que tanto, dispensou a minha dor, como quem despacha uma oferenda para os orixás, é você que tem o lugar cravado no meu peito, é você, e essa aldeia que levarei aonde quer que eu vá. Apesar de muitas idas minhas, sentir que nem sempre é possível a volta.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
É verdade e não nego: o balcão do velho botequim, é o meu guerreiro, é a minha fé, é o meu esplendor. Com isso, coloco aqui, um poema que diz o que eu gostaria de escrever um dia.
Balcão de Bar,
Espelho de tristes rostos
Em que a tarde põe desgostos
E a noite vai agravar.
.
Balcão de Bar,
Porto de gente sofrida
A esconder o que a bebida
Aos poucos vai revelar.
.
Balcão de Bar,
É o inferno e o paraíso
A depender do sorriso
Da mulher que vai entrar.
.
Balcão de Bar
Confessionário paciente
Do bêbado inconseqüente
Que em ti vai se apoiar.
Balcão de Bar
Ao apagar de tuas luzes
Levantam-se negras cruzes
Que nos vão crucificar.
.
Madrugada,
Lá fora a vida começa
Mas tu me esperas sem pressa
Pois sabe que eu vou voltar.
.
Balcão de meu velho Bar....
Balcão de Bar,
Espelho de tristes rostos
Em que a tarde põe desgostos
E a noite vai agravar.
.
Balcão de Bar,
Porto de gente sofrida
A esconder o que a bebida
Aos poucos vai revelar.
.
Balcão de Bar,
É o inferno e o paraíso
A depender do sorriso
Da mulher que vai entrar.
.
Balcão de Bar
Confessionário paciente
Do bêbado inconseqüente
Que em ti vai se apoiar.
Balcão de Bar
Ao apagar de tuas luzes
Levantam-se negras cruzes
Que nos vão crucificar.
.
Madrugada,
Lá fora a vida começa
Mas tu me esperas sem pressa
Pois sabe que eu vou voltar.
.
Balcão de meu velho Bar....
Noite de segunda-feira, garoa fina cai lentamente. Vejo pelo o vidro da janela o desenho da tua face, vejo o teu zombar alegre de mim. Melancolia, tristeza, e uma vontade incessante de beber, de esquecer, de sofrer, de viver. Todos os sentimentos que existem aqui dentro de mim se confundem quando vejo o teu rosto ali, desenhado pelos pingos de chuva no vidro de minha janela. A música é a mesma, a saudade é a mesma, e essa vontade de lhe esquecer apenas por um momento. Apenas um momento é o que repito. Mais não direi, pois palavras neste momento não adiantaram para diminuir o imenso abismo que separa nós. Então o que fazer, é o que me pergunto a todo momento, uma voz de um diabo me diz, o que fazer, é beber, é sentar na minha espelunca querida, naquele canto que tanto gosto, pedi o velho conhaque acompanhado de uma cerveja mofada de gelo, e sentir aos poucos, meus olhos se perderem na imensidão do horizonte a procura dos teus, a percorrer estes tantos quilômetros que me leva até você.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O conheci numa tarde de segunda-feira, uma tarde simples, dessas qualquer. Tarde de calor, com uma leve brisa soprando, seu Antonio, estava sentado no banco da praça, esperando seu velho companheiro para o jogo de damas. Sentado embaixo da árvore, dizia, que não gostava do calor, que sua preferência sempre foi pelo o tempo frio, que fazia se recordar de sua infância em Porto Alegre. Seu Antonio, para minha surpresa me foi apresentado naquele dia, quando passava apresado para mas um dia de trabalho. Devido a um escorregão, torci o pé, com muita dor no tornozelo, seu Antonio, me puxou para o banco, disse para eu aguardar um pouco ali, que iria até a casa simples que morava para apanhar um pouco de gelo e um copo d'água. A dor aumentava, por um único instante cogitei a idéia de ir embora, mas a dor me fez re-pensar. Avistei do outro lado da rua seu Antonio apressado vindo com uma garrafinha de água e uma compressa de gelo, pediu para eu não me mexer, colocou a compressa de gelo sobre o meu tornozelo. Sentindo um pouco menos de dor, lhe agradeci, lamentando o ocorrido, ele ainda com um sorriso singelo estampado no rosto, disse que era assim mesmo, ainda brincou, dizendo que eu andava com os pensamentos nas nuvens, ou até mesmo, pensando em alguma mulher. Dei um risada, dizendo que não andava com essa bola toda. Tivemos um cinco minutos de papo, quando lhe perguntei o que fazia naquele banco. Foi quando ele me respondeu, que a velhice, não nos resta nada, além de sentar num banco e pensar na vida, no passado em busca de lembranças. Mas que também esperava um grande amigo, que por sinal estava atrasado para algumas partidas de damas. Por um breve instante fiquei a pensar no que foi dito, mas a dor me impedia de filosofar. Disse para ele que precisava ir para casa, que não precisava mais de ajuda, que alguns minutos apenas estaria em casa, que procuraria um médico, para quem sabe a gravidade da torção enfaixar o tornozelo e ganhar alguns dias de descanso do trabalho. Levantei calmamente, procurando não apoiar o corpo sobre o tornozelo torcido, lhe agradecendo pela ajuda, prometendo voltar assim que me recuperasse para um partida de damas, e quem sabe talvez, uma conversa sobre as coisas do mundo e da vida.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
LISTA
Aproveitando que o fim de 2009 se aproxima, e com a chegada desta data é hora de fazer o balanço, colocar na balança o que realmente valeu a pena. Colocarei aqui uma lista simples, nada sofisticado, nada crítico ou melhor olhando pelo o lado crítico da coisa. Segue alguns livros, CDs e filmes que gostei, segue abaixo:
CDs
Aldir Blanc - Vida Noturna
Moacyr Luz - Batucando
Nana Caymmi - Quem inventou o amor
Maria Bethânia - Tua
Maria Bethânia - Encanteria
Nação Zumbi - Fome de Tudo
Paulo Cesár Pinheiro - Lamento do Samba
LIVROS
Joana a contra gosto - Marcelo Mirisola
Aldir Blanc - Rua dos Artistas
Fausto Wolff - O lobo Atrás do Espelho
Nelson Rodrigues - Cabra Vadia
Orfãos do Eldorado - Milton Hatuom
Coloquei aqui, uma lista de livros e discos que tive a oportunidade de ler e escutar este ano, não necessariamente foram lançados em 2009.
CDs
Aldir Blanc - Vida Noturna
Moacyr Luz - Batucando
Nana Caymmi - Quem inventou o amor
Maria Bethânia - Tua
Maria Bethânia - Encanteria
Nação Zumbi - Fome de Tudo
Paulo Cesár Pinheiro - Lamento do Samba
LIVROS
Joana a contra gosto - Marcelo Mirisola
Aldir Blanc - Rua dos Artistas
Fausto Wolff - O lobo Atrás do Espelho
Nelson Rodrigues - Cabra Vadia
Orfãos do Eldorado - Milton Hatuom
Coloquei aqui, uma lista de livros e discos que tive a oportunidade de ler e escutar este ano, não necessariamente foram lançados em 2009.
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