Entre tantas palavras ditas,
a que sobrou foi adeus.
Entre teu corpo e o meu,
essa entrelinha,
o que sobrou foi a falta.
Entre o que ficou e o que se foi,
o que restou foi a saudade.
Entre o tempo que durou
e o tempo que faltou,
sobrou o espaço vazio.
Entre tuas pernas, o que permaneceu,
foi os meus carinhos,
e no ventre teu, queria um ninho.
Entre o encontro e a despedida,
ficou o silêncio, do não dito.
Entre a lua e o céu,
restou a noite,
e este amargor.
Entre as folhas, o que sobrou,
foi a pagina virada.
O que sobrou do jardim teu em mim,
foi os espinhos, que furam o meu peito.
Entre todo amor, a desilusão,
entre essa vontade de ficar, e ter de ir embora.
Lamentando, o momento breve.
Entre teu choro de angústia,
os meus lábios a calar o teu pranto.
Entre, tudo que foi,
entre tudo que restou,
foi tu que passou, e jamais, voltará.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Certa vez, numa tarde fria, quando escutei sua voz ao telefone desesperada, pedindo ajuda, clamando por um pouca de atenção para fugir do tédio e do desespero, ali, naquele instante te amei, e jurei que acontecesse o que acontecesse jamais estaria sozinha no mundo. Jurei, como jurei em cima do evangelho, que suportaria tudo, que me ausentaria de qualquer coisa, que abriria mãos dos meus planos, para ali ficar junto de ti, quando você precisasse. Marcamos um encontro, você disse que me pegava às cinco horas, em frente a minha casa, eu sorri concordando, você não pode ver. O relógio marcava, 16h50min, quando você estacionou o carro. Pude perceber no seu olhar, que outrora brilhava tanto, que às coisas não iam bem. Nada disse apenas te abraçei, apenas beijei tua testa, assim como um pai beijo o filho. Num desespero, você começou a chorar, me abraçou, dizendo não suportar mais o tédio, era uma angústia presente, nada preenchia esse vazio. Tentei falar alguma coisa, mas você parecia não ouvir, o desespero era maior que qualquer coisa. Esperei você recuperar a fala, diminuir o pranto, pedi para você tocar o carro em direção a algum bar, mas que não fosse perto, o quanto distante for, para termos tempo de fugir um pouco da rotina. Você partiu com o carro, parecia estar perdida, os carros passavam apressados, você pediu para que eu ligasse o carro, solicitando que eu falasse algo, que aquele silêncio atordoava ainda mais. Procurei dentro de mim, algo que te ajudaria, mas a procura não foi das melhores. Tentei dizer, que todos os seres tem seus sofrimentos, que a angústia era uma forma, para conseguir forças para driblar as adversidades da vida. Você deu, um sorriso, fiquei feliz, você ainda sorrindo disse que eu era maravilhoso, com a minha poesia vagabunda, que não sabia como, mas que sempre caia na minha lábia. Eu dando sorriso, disse que ainda bem que conseguia; arrancar alguma coisa de você de bom. Pois há tempos, você era um poço de infelicidades. Enquanto ela dirigia meu olhar se perdia naquela paisagem cinza, se perdia no meio dos carros, das pessoas, um mundo de pensamentos trilhava aqui dentro. Pude reparar que apesar de toda essa angústia você ainda continuava a mesma menina bela, de quando conheci. Mesmo sem o brilho no olhar, ainda tinha luz neles, e neles eu poderia viver tranqüilamente. Você olhava pelo o retrovisor, me olhava, via que eu à fitava com os olhos, querendo algo à mais. Depois de longos 40 minutos, chegamos ao Bar, o bar era o mesmo, sempre íamos ali, cerveja barata, com uns tira gostos maravilhosos. O bar estava lotado, com poucas mesas disponíveis, escolhemos uma na parte do canto do bar, aonde parecia que dava para conversar sem precisar gritar. Puxei a cadeira para que você sentasse, você sorriu, era capaz de fazer qualquer coisa para te fazer feliz. Sorri novamente, solicitando que ela pedisse para o garçom, sua bebida. Ela com um breve aceno de mãos solicitando o atendimento do garçom, pediu uma vodka com suco de laranja, e uma cerveja e dois copos. Eu sorri, era impressionante o quanto a minha felicidade era grande ao lado dela, sem que ao menos eu conseguisse disfarçar. Perguntou-me se ainda eu continuava com os mesmos gostos, eu disse que sim, que a minha bebida era duas: cerveja e uma boa cachaça. Ela sorriu me dizendo o quanto eu era simples, e butequeiro. Eu agradeci, sorrindo ainda mais. A noite passava tranqüilamente, apesar da grande quantidade de gente ali presente, dava para conversar sossegado. Ela começou a dizer - colocando para fora o que afligia, o quanto sentia saudades da família, naquela imensa cidade, não tinha conseguido se adaptar ainda. Dizia que o tempo passava, e não conquistava nada, não conseguia concluir o curso de letras na universidade, que gostaria de mudar de curso, de área, mas que era vã. Não conseguia se libertar das garras dos más pensamentos. Que a idade ia chegando e ela ainda não tinha conquistado nada, eu sorri, dizendo para ela se acalmar, pois a maioria dos jovens ainda não conquistaram o que gostaria. Disse também, que sempre, procuramos algo maior, que a vida é assim, que sempre colocamos obstáculos no meio dela. Que não contentamos com que alcançamos. Que era espírito dessa sociedade materialista. Ela pareceu concordar fez um gesto com a cabeça querendo dizer que sim. Enquanto discutíamos, ali sobre política, cultura, cinema, literatura, poesia, teatro, pude lhe dizer o carinho que sentia por ela, ela também fez que sim, que me adorava, que ultimamente ela podia contar comigo a qualquer hora. E a imensa saudade que sentia, de quando de porre, nos beijamos pela primeira vez. Disse isso a ela, ela sorriu, dizendo nunca ter me esquecido, e nunca ter esquecido aquela noite tão linda, tão iluminada. Eu confessei a ela, os meus sentimentos, disse o quanto era triste vê-la assim, caída pelos cantos, tristonha, sofrendo. Ela num gesto de delicadeza apertou a minha mão, e pediu para eu dar um gole na cerveja, sem entender fiz o que ela pediu, depois de saborear o gosto adocicado da cerveja, ela pediu para que eu fechasse os olhos, sem perceber o que ali acontecia, fechei os olhos, pude sentir pelo o teu perfume o rosto dela se aproximando do meu, então quando abri, os lindos lábios dela já estava grudados aos meus. O beijo durou alguns segundos, o suficiente, para arrancar alguns sorrisos. Ficamos ali, naquele romance de abril, sem perceber o quanto dependíamos um do outro. Ela ainda sorrindo, pediu a conta para o mesmo garçom que fez o pedido, dizendo que a conta era por conta dela, eu fiz que não, que pagaria, ela reclamou dizendo que não permitiria. Ainda sorrindo em direção ao caixa, me disse ao pé do meu ouvido, que me levaria para o infinito naquela noite, que eu poderia esperar tudo naquela noite, eu sorri concordando.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Essa é a verdade, a bebida me comove. Se tivesse que escrever na placa do meu túmulo escreveria algo assim:
- Rodrigo de Freitas Medina - 24-04-1984 - 10-12-2009 - Fiz por merecer.
Assim escreveria. Assim eu poderia ali deitado descansar a minha alma desta penúria que é viver. Acabo de voltar do buteco, de comemorar diga de passagem ao meu gosto, o dia do samba. Tremendamente emocionado, depois de algumas ampolas geladas, na temperatura ideal, volto para casa, satisfeito pronto para encarar mais um dia de rotina. Mas quero aqui dizer, e justificar o apelido dado por um grande amigo, parceiro de vida e copo, o apelido dado de poeta. Para mim é uma honra ser chamado assim, de poeta. Sempre quis ser, antes de tudo, desejei e desejo ser poeta. O buteco vazio, alguns amigos ali presente, apoiado no balcão, eu batucando, lembrando sambas de Cartola, Chico Buarque, João Bosco, devidamente apaixonado por você, isso, você que deve ler acredito essas linhas, é por você. Chego em casa, errando os passos, troço que fazia tempo que não acontecia, no meu velho e guerreiro computador, tocando a música de Aldir Blanc- Resposta ao Tempo, e quem me vem na cabeça? Isso, me vem você!
A batida do tempo, bate em minha face emocionado, e como sou uma criança que não soube adormecer, me despeço aqui, deste balcão imundo, deixando minhas bitucas pelo chão e o copo na mesa, cheirando a cigarro, vou dormir, pois a emoção é tremenda.
- Rodrigo de Freitas Medina - 24-04-1984 - 10-12-2009 - Fiz por merecer.
Assim escreveria. Assim eu poderia ali deitado descansar a minha alma desta penúria que é viver. Acabo de voltar do buteco, de comemorar diga de passagem ao meu gosto, o dia do samba. Tremendamente emocionado, depois de algumas ampolas geladas, na temperatura ideal, volto para casa, satisfeito pronto para encarar mais um dia de rotina. Mas quero aqui dizer, e justificar o apelido dado por um grande amigo, parceiro de vida e copo, o apelido dado de poeta. Para mim é uma honra ser chamado assim, de poeta. Sempre quis ser, antes de tudo, desejei e desejo ser poeta. O buteco vazio, alguns amigos ali presente, apoiado no balcão, eu batucando, lembrando sambas de Cartola, Chico Buarque, João Bosco, devidamente apaixonado por você, isso, você que deve ler acredito essas linhas, é por você. Chego em casa, errando os passos, troço que fazia tempo que não acontecia, no meu velho e guerreiro computador, tocando a música de Aldir Blanc- Resposta ao Tempo, e quem me vem na cabeça? Isso, me vem você!
A batida do tempo, bate em minha face emocionado, e como sou uma criança que não soube adormecer, me despeço aqui, deste balcão imundo, deixando minhas bitucas pelo chão e o copo na mesa, cheirando a cigarro, vou dormir, pois a emoção é tremenda.
Hoje não poderia ser diferente, é dia do samba. Dia conquistado na raça, samba gênio da raça, não poderia passar em branco. O festejo requer uma comemoração simples, assim como de fato o samba é, simples e misterioso, triste e alegre. Dia de reunir os amigos, ir até um buteco imundo, celebrar a arte do encontro, batucar na mesa, bater latinha, cantar Noel Rosa, chorar com Cartola e Nelson Cavaquinho, silenciar com Paulinho da Viola, lembrar de Pixinguinha, todos os nomes, que levantaram à bandeira do samba, que nunca e jamais deixar a peteca cair. Mas não digo pois não é preciso, o recado está dado - a lua no céu iluminará os poetas e vadios.
Ninguém vai rir - é o que te disse. O momento não era o ideal, tinha ali naquele instante, estabelecido que não daria certo, que não adiantava procurar os erros, para tentar diminuir os acerto. O nosso amor nunca daria certo, nunca seria o ideal para nossas almas. Seria apenas, como diria o Milan Kundera - Risíveis Amores. Aquele apartamento naquele bairro calmo, silencioso, palco de nossas juras, de nossas entregas - não seria mais o mesmo. Você ali sentada no canto, perto do aparelho de som, rosto pálido, olhos marejados, naquele mundo tão seu. Meu olhar se perdia naquele ambiente, talvez procurando se perder da direção dos teus. Procura talvez, uma espécie de culpa, para jogar a desgraça, que aconteceu com as nossas vidas. Olhava o porta retrato naquele móvel de sala, nossos risos, você ali abraçada comigo, aquele riso, aquele olhar. Tudo tinha chegado ao fim, mas parecíamos não perceber, parecíamos querer entender que tudo na vida tinha um fim, e que todo fim era triste. Que tudo na vida deixa uma espécie de saudade. Você prometeu retirar seus pertences dali, alegando que aquele apartamento era amaldiçoado, que tinha energia negativa. Lhe disse que aquele apartamento, era teu, o aluguel estava no seu nome - que o visitante ali era eu, apesar de morar mais ali, do que em outro lugar. Disse que iria embora que voltaria no dia seguinte, para retirar os meus pertences. Que não queria encontrar com ela ali presente. Ela entendeu tudo, disse que não haveria problema, que estaria ausente o dia inteiro; que poderia tirar as coisas sem pressa. Separar os livros, os CDS, os DVDS, mas que deixasse aquele porta retrato ali naquele móvel, para que não se esquecesse que ali passou. Sem assunto, acendeu um cigarro, o último, ela ainda resmungando disse para diminuir, ele sem prometer nada disse que tentaria. Por um breve instante olhou para ela, avistou sua face triste, pegou suas as chaves no mesa, deu um adeus, bateu à porta em direção a rua.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
NOITE FRIA
Texto que escrevi tempos atrás.
Parto rumo ao buteco, no céu escuro vejo uma, talvez duas estrelas. A garoa que cai do céu fazendo a noite mais fria. Acendo um cigarro o vento frio bate no meu rosto revelando o frio e o vazio que pairou dentro de mim. A solidão é minha companheira, partimos juntos eu e ela rumo ao buteco. A fumaça do meu cigarro escreve no ar o nome dela, me revelando que ainda não posso e não consigo esquecer o adeus da despedida. Despedida que nem sei ao menos se chegou acontecer. Sigo caminhado na rua vazia, alguns cães vem ao meu encontro fazendo companhia. Seguem-me até eu entrar na espelunca - aguardam do lado de fora como se quisessem dizer: beba, pois é o que tens a fazer, aproveite que na volta voltaremos contigo. Sento naquela cadeira ao lado do freezer cervejeiro. Peço uma cerveja e um copo. Ofereço o primeiro gole aos deuses que peço para abrirem o meu caminho me tirando essa revolta que invade o meu ser. Sinto que estou mais angustiado, a música que toca não é ideal para o momento, mais mesmo assim segue embalando a minha saudade e minha solidão. Poucos freqüentadores ali se fazem presentes. Alguns vem me comprimentar, dizem algumas palavras algo que eu não consigo entender, ou não faço entender, os meus pensamentos estão em outro lugar. Pego-me a lembrar de suas carícias, de seus beijos apaixonados, suas juras dizendo que eu seria o homem de sua vida. Um samba vem na minha cabeça - para aliviar o meu sofrimento e minha angústia, pois como diria o poeta: o samba existe para não deixar ninguém triste. Peço mais uma cerveja e aproveito e peço também um conhaque que é para espantar de vez o tédio. Um bêbado insiste em querer minha atenção penso que talvez ele esteja no mesmo degrau que eu, penso que iremos cair juntos. Ficamos ali um perto do outro separados pela a fumaça incessante de nossos cigarros. A tosse seca nos atrapalha, impede de colocar para fora o que nos entristece. Começo a reparar no ambiente, sinto aquela melodia novamente, um outro bêbado me oferece um gole de sua bebida, digo que não, o mesmo insiste dizendo que é a bebida dos deuses. Meus pensamentos se perde nos labirintos da vida, olho na direção do portão procurando os cães que me acompanharam até ali. Não os vejo, acho que o frio daquela noite escura fizeram eles se esquecerem de mim e procurar algum canto para se esquentar. Continuo ali sentado a bebida começa a fazer efeito, sinto o meu olhar perdido, sinto um leve sorriso saido do meu rosto, por um breve instante esqueço das minhas tristezas pensando que a vida é assim mesmo. Pago minha conta, me despeço de todos prometendo novamente esta ali amanha. Sigo novamente rumo a minha casa, rumo que nem sei se seria o certo, venho meio cambaleando e sorrindo, o samba se faz presente novamente, por um momento apenas esqueço que tudo isso não vale a pena, abro o portão, a porta, apago o cigarro jogando na garagem. O meu cão me olha com um olhar de amparo, entro em casa, sinto um vazio, penso que o melhor seria dormir, para tentar esquecer aquela noite que talvez tenha sido a mais fria do ano, fora e dentro de mim.
Parto rumo ao buteco, no céu escuro vejo uma, talvez duas estrelas. A garoa que cai do céu fazendo a noite mais fria. Acendo um cigarro o vento frio bate no meu rosto revelando o frio e o vazio que pairou dentro de mim. A solidão é minha companheira, partimos juntos eu e ela rumo ao buteco. A fumaça do meu cigarro escreve no ar o nome dela, me revelando que ainda não posso e não consigo esquecer o adeus da despedida. Despedida que nem sei ao menos se chegou acontecer. Sigo caminhado na rua vazia, alguns cães vem ao meu encontro fazendo companhia. Seguem-me até eu entrar na espelunca - aguardam do lado de fora como se quisessem dizer: beba, pois é o que tens a fazer, aproveite que na volta voltaremos contigo. Sento naquela cadeira ao lado do freezer cervejeiro. Peço uma cerveja e um copo. Ofereço o primeiro gole aos deuses que peço para abrirem o meu caminho me tirando essa revolta que invade o meu ser. Sinto que estou mais angustiado, a música que toca não é ideal para o momento, mais mesmo assim segue embalando a minha saudade e minha solidão. Poucos freqüentadores ali se fazem presentes. Alguns vem me comprimentar, dizem algumas palavras algo que eu não consigo entender, ou não faço entender, os meus pensamentos estão em outro lugar. Pego-me a lembrar de suas carícias, de seus beijos apaixonados, suas juras dizendo que eu seria o homem de sua vida. Um samba vem na minha cabeça - para aliviar o meu sofrimento e minha angústia, pois como diria o poeta: o samba existe para não deixar ninguém triste. Peço mais uma cerveja e aproveito e peço também um conhaque que é para espantar de vez o tédio. Um bêbado insiste em querer minha atenção penso que talvez ele esteja no mesmo degrau que eu, penso que iremos cair juntos. Ficamos ali um perto do outro separados pela a fumaça incessante de nossos cigarros. A tosse seca nos atrapalha, impede de colocar para fora o que nos entristece. Começo a reparar no ambiente, sinto aquela melodia novamente, um outro bêbado me oferece um gole de sua bebida, digo que não, o mesmo insiste dizendo que é a bebida dos deuses. Meus pensamentos se perde nos labirintos da vida, olho na direção do portão procurando os cães que me acompanharam até ali. Não os vejo, acho que o frio daquela noite escura fizeram eles se esquecerem de mim e procurar algum canto para se esquentar. Continuo ali sentado a bebida começa a fazer efeito, sinto o meu olhar perdido, sinto um leve sorriso saido do meu rosto, por um breve instante esqueço das minhas tristezas pensando que a vida é assim mesmo. Pago minha conta, me despeço de todos prometendo novamente esta ali amanha. Sigo novamente rumo a minha casa, rumo que nem sei se seria o certo, venho meio cambaleando e sorrindo, o samba se faz presente novamente, por um momento apenas esqueço que tudo isso não vale a pena, abro o portão, a porta, apago o cigarro jogando na garagem. O meu cão me olha com um olhar de amparo, entro em casa, sinto um vazio, penso que o melhor seria dormir, para tentar esquecer aquela noite que talvez tenha sido a mais fria do ano, fora e dentro de mim.
Quanto tempo faz que beijei tua face te prometendo um mundo de paixão? Quanto tempo faz, que não vejo o teu olhar embriagado se perdendo no meu? Quanto tempo faz, que você sente meus lábios grudados no teu cheirando a conhaque? Você tão moderna, tão atual, eu tão velho, tão boêmio, tão metido à poeta - a cachaceiro. Hoje te vi, e recordei tudo isso, meu coração vagabundo, criado nos botequins mais vagabundos - que você tanto odeia, senti, como não sentia antes, essa saudade absurda de você. Essa saudade de tua fala, ao pé do meu ouvido, de porre. Esse seus cabelos a cair na minha face enquanto te beijo. Este teu cheiro doce, esses teus peitos, sua pele macia, quanta saudade. Aonde é que você se meteu, aonde é que você se escondeu, me deixando perdido no mundo da saudade e das lembranças. Apareça, vamos tomar umas, vamos trocar juras, até o dia clarear, vamos sair por ai, nesta cidade cinza, a escutar o silêncio da madrugada vazia. Vamos pirar juntos, e esconder por um único instante esse mundo, vasto mundo.
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