quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010

Ano se aproxima do fim, e a única certeza que tenho, é que passarei por mais um, assim espero. Tive posso dizer, um ano maravilhoso, fiz o que quis, gastei dinheiro que não podia gastar, viajei e com viajei este ano. Bebi horrores, passei dias inteiros nos bares, chorei, me emocionei, lastimei. Tudo isso fez com que eu realmente eu aprendesse a malandragem da vida. Desejo aos poucos que aqui perderam seu tempo, lendo essas mal traçadas linhas, um bom ano, regado de axé, que o batuque nos alivia dos tormentos mundanos. Pois tenho certeza que será um novo ano, um ano de esperança que tudo possa melhorar neste meu país querido. E assim meus poucos leitores, termino por aqui, darei um pulo na esquina atrás de uma cerveja gelada, pois serás as penúltimas que tomarei neste ano de 2009.

Há todos um bom 2010, e muito axé.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Época de festas, inspiração me falta. O papo é o mesmo, a dor também. Afago minha lembrança na cachaça, mas a danada não me vem. O que vejo é luzes espalhadas pelos os cantos, todos se perguntando aonde vai passar a virada do ano. Confesso neste humilde espaço que há anos não me empolgo com a data. Este ano para espanto dos amigos próximos, falei que gostaria de passar na companhia deles, bebendo, não me importando com o lugar. E assim espero que seja. Outra coisa que chama atenção - é este lamento que carrego aqui dentro, 2009 foi bacana, fiz novas amizades, fiz uma dezena de viagens. Gastei cerca de 40 por cento da renda adquirida nos butecos, que tanto freqüento. A inspiração me falta, tá vendo? Mas termino o ano, sentindo falta de algo. E esse algo que me incomoda, esse algo que não sei bem o que é. Minha mãe que é um tanto religiosa, me disse que é falta de Deus no coração, já que na opinião dela eu sou ateu. Procuro não discordar pois opinião de mãe é sempre certeira e precisa. Mas confesso que não é isso, é uma eterna busca, sem saber o que seja. Junto com essa busca, vem os tormentos, mas como sempre digo, o importante é manter-se bem, ter esperança, acreditar que num futuro breve teremos um país melhor, mas justo, não importa que seja daqui 500 anos, mas teremos. Enquanto isso, desejo à todos um bom 2010, que tudo se realize na vida de vocês. Pois tenho certeza que 2010 beberei um pouquinho que é para ter argumento.

sábado, 26 de dezembro de 2009

A rotina se repete todos os dias. Cumpro os meus afazeres e desfaleço nas esquinas. A madrugada essa calmaria para o meu ser. Minha alma vadia, vagueia por ai. Escuto daqui que eu não presto, que eu bebo tudo aquilo que ganho. Que arruinei sua vida. Coisas do tipo. Enquanto na vitrola rola um disco no Noel Rosa, me acabo aqui, remoendo as lembranças de outrora, quando perseguia teu corpo cheio de pintas. Enquanto você não esta nem ai para mim. Assim vou vivendo, querendo que se phoda todos, querendo que o politicamente correto vai a merda. Bebo, trago, meu lar é o butequim. Enquanto lastimo tua falta, mas meu último desejo você não pode negar.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

SOLIDÃO NOTURNA

Sempre que posso, conto aqui algumas histórias que muitas vezes vejo e escuto, ou fruto de minha imaginação. Da aonde vem não importa, são pequenos pedaços, são pequenas metáforas que trago até aqui. Hoje não será diferente. Como disse por aqui algumas vezes, o drama humano é o mesmo, a carência, as riquezas, a pobreza, o caráter, a dignidade, a fraqueza, o silêncio, a solidão. Nesta noite de natal, data excelente para se fazer um levantamento da vida, o que de certo fez, e o que poderia ter feito. É claro, que muitas são às vezes que não acertamos, que erramos, isso faz parte, pois somos humanos. O mais importante é tentar, não importa se erramos, vale tentar. Vale tentar ser melhor, vale a pena ser feliz, vale a pena amar, vale a pena ter esperança, vale a pena manter a chama sempre acessa. Assim temos a certeza de que aqui na terra, faremos um lugar mais digno para se viver. Porque digo isso? Digo ou melhor escrevo, pois muitas vezes estive reparando ao meu redor, vi muitas luzes apagadas, vi muitas pessoas se entregando, vi muitas pessoas se matando. E não é por isso que estamos por aqui. Ontem numa das minhas andanças, depois da ceia natalina junto com a família, caminhando pelas ruas do meu bairro, este lugar esquecido por muitos, reparei nas casas, reparei nas ruas, reparei na solidão, reparei no barulho. Época que todos passam juntos, assim propagado pela mídia, pela televisão. Mas não esquecemos que nem todos são assim, tem família por perto. Ontem, um fato que me chamou bastante atenção, foi um senhor sentado ao fundo do buteco sozinho. A solidão daquele homem me comoveu, não sei explicar, mas algo nele me comoveu. Pedi a minha cerveja, o buteco estava lotado - música no volume alto, todos ali presentes parecia não reparar naquele canto o senhor escondido parecendo não estar ali presente. O tempo que ali estive, fiquei reparando em sua fisionomia. Parecia um tanto solitário, um tanto chateado. Na sua mesa, algumas garrafas vazias, alguns copos. Me pareceu que ele já tinha bebido todas. Quando falava alguma coisa era para pedir outra. Reparei que ele prestava atenção nas músicas, que cantarolava algumas delas. O alento para sua alma ferida. Enquanto no meu canto reparava tudo aquilo, alguns jovens casais bebendo suas bebidas, se beijando, se amassando festejando a arte do encontro, aquele senhor sentado ali, parecia ausente de tudo. Olhei na sua fisionomia tentando reconhecer ele de algum lugar, de algum buteco, mas não apareceu na minha lembrança. Então perguntei para o dono do bar, se ele aquele senhor era do bairro, se freqüentava ali. O bigode disse que sim, que passava todas as noites por ali, mas que não sabia nada sobre ele, nem o nome. Sentava sempre no mesmo lugar, na mesma mesa, suas bebidas era as mesmas. Também não conversava com ninguém, que só saia dali, quando fechava as portas, muitas vezes raiando o dia. Tentei mais me contive, de se aproximar para puxar um papo, para saber algo a respeito do malandro. Me contive, não tive coragem. Fiquei apenas imaginando a solidão daquele homem neste mundo, milhares presente, milhares de conversas ao seu lado, e ele perdido talvez numa lembrança de outrora. Me levantei caminhei em direção da rua, acendi um cigarro, reparei na rua, aquele silêncio interrompido apenas por alguns jovens que caminhavam. Pensei no menino jesus, em Deus, na santa ceia. Nos milhares por ai que vivem no descaso, debaixo de pontes, dormindo debaixo das coberturas. Nas crianças que morrem a todo momento na grande cidade. Por um momento senti que ia chorar, meus olhos marejaram, pedi a saideira, sentei na calçada, e pus-me a repensar nos valores que temos que ter, o ser humano que temos que ser, a luz que jamais pode se apagar, na esperança que temos que ter.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Todos os dias são os mesmos. A mesma agonia, o mesmo ser solitário no meio da multidão. Caminho de volta para o lar, reparando naquela paisagem tão fastigada; tão acabada. Reparo na inutilidade do ser, que andam pelas ruas, aos gritos, querendo ao máximo se aparecer. Péssimas músicas saindo dos potentes sons dos automóveis. Me pego a pensar, nesta certa inutilidade, muitos querendo se divertir, muitos querendo se aparecer, para mim não importa, o ser humano é um tolo. Esse meu delírio, esse meu jeito simples de olhar o mundo, essa minha loucura que é viver, é acordar todos os dias e sentir o mesmo gosto da manha, é sentir um brotar, é sentir o amanhecer. Voltando ao texto, caminhando eu não vejo sentido nisso tudo, para mim isso tudo é vão. Minha alma precisa de mais, precisa de paz, precisa de amor, precisa de poesia. E por falar em poesia, reparo que no meio disso tudo não tinha uma pedra, como escreveu o poeta e sim, tinha um buteco no meio do meu caminho. O lugar cheio, para o meu espanto, esperava todos em volta da mesa dos seus lares, à festejar a noite de natal, mais muitos preferem o profano assim como eu. Avisto sentado ao canto, um amigo, para minha salvação. Damos um comprimento um ao outro, peço uma cerveja e dois copos, sem reparar no barulho incessante que reina naquele lugar. Todos ali disfarçando suas tristezas, esquecendo por um breve momento suas dores, para celebrar a arte do encontro e da felicidade passageira. O mesmo que faço. Caminho em direção a calçada, sento-me na cadeira do lado de fora do bar, meu amigo levemente embriagado, conversa comigo emocionado, dizendo que já tinha passado da conta, que era um prazer terminar a noite tomando uma saideira na minha companhia. O prazer é recíproco, digo o mesmo, que para mim é um honra me afundar num porre nesta noite ao lado dele. Fico ali a bater papo sem ver a noite passar, reparo no vai e vem dos carros, das pessoas, na solidão que a madrugada é, essa solidão que tanto almejo. Aos poucos minha angústia vai passando a medida que vou bebendo, num gesto, num ato, tudo vai passando. Alguns versos de samba vem na minha mente, cantarolo, me emociono, o que torno tudo mais prazeroso. A noite tem sido minha eterna companheira, nela eu tiro o meu alento que me tira deste tormento. Essa saudade que tenho de você, que você finge não acreditar ou que prefere acreditar e jogar fora, naquela imensa bobagem que disse. Me pego a pensar naquela canção que escutamos simultaneamente eu aqui você ai. Sinto tua falta, sinto tua ausência, eu poderia não dizer aqui, poderia guardar, deixar tudo trancado dentro do peito, mas prefiro aqui escrever. Tudo se mistura um turbilhão de pensamentos, começo a me embriagar, garrafas e bitucas espalhadas por todo canto. Queria saber o que você faz neste exato momento, queria estar contigo mais não é possível. Resolvo deixar isso de lado, resolvo apenas beber um pouquinho, argumento com a vida, aos poucos essa saudade que sinto de você se esvai, e tudo talvez voltará a ser como antes, antes quando tinha alegria numa noite natalina.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Conforme disse, meu tempo, o tempo que disponho para beber, experimento lugares diferentes. Tive hoje uma ingrata surpresa, pois fiquei sabendo que o BAR DO ABRAO, não é mais dele. Ele me disse que passou o ponto. Fiquei triste com essa noticia. Quando eu pisava lá dentro ele já sabia e separava meus maços de cigarros. Confesso que troço que me deixa feliz, é o dono da espelunca saber os meus gostos. Nota triste.

Mas como nem tudo é tristeza, sai de lá e fui para outro bar ou melhor uma lancheteria. Isso mesmo, lancheteria. Sempre, confesso que freqüento ali, há poucos dias, e desde que pisei lá, fui bem recebido. Sempre exalto as qualidades do lugar, lanches maravilhosos, cerveja estupidamente gelada, petiscos bacanas. Hoje pela minha surpresa o lugar se preparava para fechar, minha fome tamanha, cheguei para pedir um lanche. O malandro já tinha limpado tudo, fiquei sem graça de pedir o lanche. De quebra o malandro, sem graça eu também, abriu uma cerveja e colou na roda. Fiquei até poucos minutos atrás batendo papo e saboreando umas 3 ou 4 para não perder o paladar.
Enquanto abro a primeira do dia ( para bom entendedor meia palavra basta). Acendo um cigarro para acompanhar, escolho uma música, para acalmar o peito. Mar no maracanã, é a escolhida, minha emoção é tamanha. Feito um rio que navega, que não para, assim sou eu. Mesmo triste, apesar da época ser de festejos, eu apenas lamento. Tenho na verdade muito que agradecer, mas não farei, não agradecerei, feito um filho rebelde não levantarei minhas mãos para o alto, feito em prece. Guardarei aqui dentro o que deu certo e o que lamento não ter podido ter feito. Confesso apenas, este ano foi o ano que fiz do meu boteco o meu lar. Lá eu chorei, lá em me alegrei, e por dias lá permaneci, chorando em prece, acalmando. Enquanto a música rola, enquanto eu bebo um pouquinho, reparo no som que vem das ruas. A loucura dessa cidade, a loucura deste povo, impede que eu me tranquilize. E assim farei, evitarei o contato, secarei as ampolas da geladeira, e neste silêncio, neste refúgio, aqui fico, a escutar canções, à pensar em você ( isso em você). Choro, choro, meus olhos marejados se perdem neste quarto escuro e assim ficarei.